Sustentabilidade Amorosa

Num boteco à beira da estrada, entre um gole e outro de vinho de boa procedência (afinal era amiga da dona), ouviu a palavra “sustentabilidade” e voltou discretamente sua atenção ao assunto que rolava numa mesa próxima. Seria impossível não ouvir a conversa que envolvia aquela roda de amigos pois que a altura das vozes acompanhava a quantidade de garrafas de cervejas vazias sobre a mesa.
Percebeu que a palavra não era usada no sentido habitual.
Simplesmente era a resposta de um macho que se pretendia “alfa” a uma quarentona que participava da roda e se declarava sem compromissos.
- Você conhece a lei da sustentabilidade, fulana?
Sustentabilidade, na sua concepção, uma metáfora para: “está sozinha por que quer, se sustentar...”
Desligou-se daquele presente e deu um pulinho no ontem, reconectou-se ao Facebook.
Lembrou-se do ataque súbito, in box de um predador” de plantão. Tipos com palavras gentis, princesas e falsas gentilezas.
Não era suscetível a banalidades, não tinha sonhos de cinderela. O senso crítico falava mais alto.  Gostava de riscos calculados, das surpresas após a curva da estrada. Não era linear, gostava de namorar e alguma gentileza.  Sempre soube se resguardar deste tipo de abordagem e não hesitou em desvencilhar-se da inconveniência.

Espantou-se com a exposição das disponibilidades em busca de possibilidades nas redes sociais e a vulnerabilidade das mulheres ao ataque de um predador.
Acreditava que um relacionamento eventual ou duradouro sustentar-se-ia por si mesmo, certamente dispensaria “sustentabilidades” numa abordagem vulgar.


Rogoldoni
10 10 2014
revisado em 25 06 2018





 
Rosângela de Souza Goldoni
Enviado por Rosângela de Souza Goldoni em 11/10/2014
Reeditado em 25/06/2018
Código do texto: T4994818
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2014. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.