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Improvável Heroína

         A lua encandecia soberba sob a amoral heroína ao compasso de sua dança solitária. Queria beber o mundo e queria beber agora (garganta seca, pupilas dilatadas). Olhos vadios prediziam uma alma errante. Disforme, sem nome, sem lugar, sem face, não pertencia; era etérea, era a fumaça de seu cigarro.
        Dilacerava-a qualquer tipo de toque ou intimidade, possuía um gato sem nome e observava o mundo como quem olha por cima de um Muro Inexpugnável. Queria fazer amor com A Liberdade. Escondia-se por trás de incontáveis vestes invisíveis.
        Era a garota da tatuagem no pescoço.
        Dando uma última tragada, dizia (fumaça nos dentes, nicotina no sangue) com sua voz mais profana.
        - Meus caros, vocês não sabem da missa a metade...
         Esmagando sua bituca com a destreza de quem esmaga um inseto flamejante  para poupá-lo da dor do fogo, deu de ombros " Mas quem se importa realmente com os problemas dos outros?".
 A lua jaz eclipsada pelas nuvens negras invejosas. O som dos passos da heroína embalam a fria e vazia rua de paralelepîpedos. Ûnicas testemunhas do ocorrido.

G. Amorim
G Amorim Cruz
Enviado por G Amorim Cruz em 06/07/2014
Reeditado em 14/07/2014
Código do texto: T4871223
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
G Amorim Cruz
Seropédica - Rio de Janeiro - Brasil, 28 anos
15 textos (237 leituras)
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G Amorim Cruz