OS MORTOS-VIVOS.
Leio jornal que mostra Rubem Fonseca indo ao canteiro de obras da estação do metrô próximo à sua casa, no Leblon, lá falando animadamente aos operários. No local inauguravam biblioteca com seu nome.
Indica o jornal, erradamente, que vive na clausura, e acresce que, contudo, faz todo os dias caminhadas pelo bairro. Isso não é clausura, não dar entrevistas. É perfil. Sem ser celebridade recusei várias entrevistas em razão de atividade.
Diferentemente pessoas que se tornaram famosas vivem em clausura. O motivo não se sabe qual, mas evidentemente é problema. Se é temor de ser assediado, artistas de máxima celebridade, com conhecimento mundial, que comparado ao de alguns enclausurados é nenhum, não são assediados. Não é esse o motivo.
Nos Estados Unidos essa particularidade, direito individual,privacidade, é bastante respeitada. Trata-se de esnobismo que mostra insuficiência dessas pessoas para conviver.E lá existem brasileiros, encerrados em seu túmulos, como se fossem deuses do nada, ególatras, por esse meio, mortos-vivos, aproximam-se mais de uma Caliope grega, a Deusa do Alarde, da fama.
Essas clausuras têm uma bipolaridade visível, ou essas pessoas se acham alguma coisa mais do que são, e nada são como pessoas, ou mostram um espírito pequeno, ou realmente sofrem de males psíquicos.
Creio nessa última proposição, trata-se de pura depressão de quem tropeçou na vida inúmeras vezes, mesmo com sucesso em algum setor, e nunca pôde acertar o passo e aprumar o espírito.
Sofrem muito, são mortos-vivos, principalmente os anônimos, não célebres, de todos desconhecidos, quantos há na internet que deixam transparecer esse lado, e ficam submersos na sua pretensiosa grandeza inexistente, que só brilha para seus egos atrasados e mentirosos, apascentados por hipocrisia e tolices.