TRAQUINICES

          Na fazenda em que eu vivia,tinha uma serraria,e a madeira trabalhada sempre tinha um destino certo.Muitas eram usadas na região para fazer,cercas,porteiras,mata-burro,currais,paiol,outras eram transportadas para Minas Gerais através do trem de ferro que atravessava por várias cidades.
          A ponte que ligava Goiás com Minas Gerais era um ponto de referência para muitos. Ali havia um armazém onde a maioria dos fazendeiros faziam suas compras.Ele ficava do lado de lá do rio,isso é, em MG.Era ali a beira daquela ponte e rio que eu passavam a maior parte do tempo.Desvendar aquelas águas era para mim um verdadeiro desafio.Em alguns trechos era impossível fazer uma travessia a nado,pois eram muito profundo,embora alguns dos meus irmãos sempre conseguiam essa façanha.Eu ia até certo ponto e retrocedia,atravessar só mesmo de canoa.
         A linha férrea era um motivo de algazarra para a garotada,porém muito perigosa.Éramos alertados por nossos pais a nunca andar pelos trilhos,mas esse era outro desafio que eu e meu irmão José amávamos fazer.Lembro que um dia eu e meu irmão estávamos brincando nos trilhos bem em uma curva,quando então ouvimos o apito do trem,pois ali na fazenda tinha uma parada,por isso eles apitavam dando sinal que logo chegariam.O nosso susto foi imenso e mal tivemos tempo de nos encostarmos no paredão de pedra para que não fossemos massacrado pelo trem.A sorte nossa é que ele estava devagar,mas também não andava lá muito rápido já que era movido a lenha ( a tal Maria fumaça).O pior é que por ali todo mundo conhecia todos e logo meu pai tomou conhecimento da nossa traquinice,o que nos levou a um belo castigo.
         Hoje só a saudade restou,pois até aquela ponte se acabou,os trilhos foram esquecidos e a estação ferroviária que abrigava tantas pessoas na cidade de Três Ranchos,clama por uma restauração pois precisa permanecer de pé para se tornar patrimônio da população que habita aquela cidade.A fazenda onde havia a ponte,hoje se tornou um grande lago,o Lago Azul de Três Ranchos.O progresso ás vezes chega para trazer conforto e lazer,mas acaba destruindo a beleza da natureza.

Rosa D' Saron
31 de Julho 2012



*Este está no livro" SAUDADES QUE DESABROCHAM"
Registrado na BIBLIOTECA NACIONAL-RJ

Nº registro:593.927
Ynu(Rosa D Saron )
Enviado por Ynu(Rosa D Saron ) em 05/05/2013
Reeditado em 06/05/2013
Código do texto: T4275567
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