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Devaneios de uma suicida

A pior morte é aquela que começa por dentro, aquela que ninguém te vela, que ninguém sente sua falta, que ninguém chorar por você, ninguém se despede, ninguém percebe, é aquela que ninguém te enterra. Em meu mundo, estou sentada num chão frio, sangrando lentamente, tentando me agarrar aos que passam, sentindo-me invisível, esperando pela minha segunda morte. O único talento que me orgulho ter é o de conseguir representar, conseguir fingir tudo que não sou, com um sorriso enganar a todos que acham que me conhece, dizendo a todos que estou bem.
Sim, meu físico está bem alimentado, mas sinto vontade de deleitar-me com um saboroso prato de felicidade, tomar uma generosa dose de paz, este alimento que você diz que tenho em abundancia não alimenta o meu espírito, deixa a minha alma faminta, adoecendo. Como dizem uma casa não é um lar se não tem ninguém para lhe confortar, um teto sob sua cabeça não significa proteção, assim como palavras não são certezas nem verdades.
Vi em minha volta algo assustador, estereótipos medíocres e pessoas hipócritas que contam o seu livro sem saber nem a primeira frase. O que vi, sinceramente, não me surpreendeu, as mesmas historias parafraseadas, um futuro pré-histórico.
Um dia belo não se caracteriza por um sol radiante, céu azul e com parcas nuvens brancas, para outros, um dia belo seria com chuvas, tempestades, nuvens negras, são vários pontos de um ponto de vista, são diversos pontos de vista de um ponto.
Tive amigos que juraram nunca me abandonar, mas me deixaram sozinha no meu mundo e foram embora, eles me viram sem mascara e preferiram voltar ao carnaval, quando mais precisei de ajuda para me erguer, me deixaram no chão.
Não posso escrever o que me destrói, ainda que viva escrevendo: sou a minha bomba-relógio. Você quer saber a parte mais triste? Estive explodindo, quebrando vidros dos vizinhos e estraçalhando os meus sonhos. Não é o céu que me acompanha; ele agora está azul. Quem me acompanha é o vão de mim. Voltarei quando eu for maior do que a história que me leva ao chão. Um dia, voltarei a mim... Um dia voltarei.

J B Nevian
Enviado por J B Nevian em 15/02/2013
Código do texto: T4142429
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
J B Nevian
Salvador - Bahia - Brasil, 25 anos
11 textos (399 leituras)
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J B Nevian