PRIMEIRO BEIJO

O rapaz talvez ainda não estivesse preparado para o namoro. Tinha 14 anos e uma timidez tão grande que foi incapaz de mostrar o amor que sentia por ela.

O rapaz talvez ainda não estivesse preparado, quando meses depois houve o afastamento gradual sem necessidade do "está tudo terminado"; ficou meio no ar, sem explicação e, durante anos, ele viveu a esperança de que um dia "tudo se ajeitasse". Foi em vão.

Ontem, ele parou na porta da locadora e em frente ao cartaz de “Os brutos também amam” lembrou daquela tarde de sol, do cinema Carioca, do lanche no Palheta, do primeiro beijo.

Recordações... Sorriu e foi em frente deixando o sol, de cinqüenta anos depois, lhe beijar o rosto.

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OBS.: Esta crônica está registrada na Biblioteca Nacional.

Elysio Lugarinho Netto
Enviado por Elysio Lugarinho Netto em 13/03/2007
Reeditado em 16/09/2008
Código do texto: T410917
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