UM TORNEIO INESQUECÍVEL

Em 1956, a TV Record, com patrocínio do fabricante do refrigerante

Seven UP realizou um torneio de futebol entre os principais colégios de São Paulo. De memória, lembro-me do Pasteur, São Luís, Dante Alighieri, Liceu Coração de Jesus, Bandeirantes e o Arquidiocesano. Havia outros mais.

Esses estabelecimentos de ensino mantinham grande rivalidade, principalmente na área de ensino, dado o prestígio que gozavam até mesmo fora do Estado. Mas, sem dúvida, a maior era entre o Arqui e o Bandeirantes, que, naquela época, começava, este último, a despontar como o de melhor ensino da Capital. Era tido como moderno, nova concepção no ensino, enquanto o Arqui mantinha seu sistema ortodoxo, tradicional, muito criticado pelo rival.

E, não sei por qual o critério adotado, o jogo de abertura foi justamente entre os dois.

O local foi em nosso colégio, campo de terra. Partida televisionada, tendo como narrador o famoso Hélio Ansaldo e repórter de campo, o não menos conhecido Silvio Luiz. Jogo disputadíssimo, nervoso, tendo o Bandeirantes feito um gol, no primeiro tempo. Na segunda etapa, apesar de muitas tentativas, não conseguíamos marcar. Porém, de tanto batalhar, conseguimos empatar, para, logo depois, fazermos mais dois gols (meus), terminando com a vitória do Arqui.

Na semana seguinte, fomos ao Dante Alighieri, para enfrentarmos o tradicional Coração de Jesus. Vencemos com enorme facilidade. Por 5x1.

O próximo, sete dias depois, a decepção...! Domingo pela manhã, tempo nublado, com previsão de temporal. Ventania forte! Campo do Colégio Pasteur, perto do Arqui. Adversário o Colégio São Luís. Começou o jogo, logo na primeira jogada em que participei, correndo pela esquerda, fui cruzar, a bola fez uma curva levada pelo vento, e entrou no ângulo.

Aí começou o aguaceiro! E a nossa derrocada! O Colégio São Luís, reforçado por um jogador profissional, apelidado de Naca, dono de um portentoso chute, aproveitou das condições do campo, de terra, que virou um lamaçal, fazendo três ou quatro gols, quase do meio do campo. Ainda conseguimos marcar mais um. Mas, não deu! Fomos eliminados do torneio!

Todavia, restou a alegria de ter aparecido na televisão, assistido pela minha vizinhança lá da Vila Assunção. Muitos até passaram a me chamar de Baltazar, como era conhecido no colégio.

Boas recordações, de um tempo feliz, de um garoto simples, que nunca almejou outra coisa, senão de retribuir a meus pais, todo esforço que fizeram, para que eu fosse alguém na vida.

Apesar de não seguir a carreira que eles tanto queriam, tenho a segura certeza de que jamais os decepcionei.

Apenas segui os passos que a vontade Divina me traçou! E sou muito feliz!

Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 20/10/2012
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