Carnaval: portal do inferno.
O carnaval consome a alma dos brasileiros e desperta a curiosidade de tantos outros que vivem em terras distantes.
É uma festa pagã, dionisíaca e fugaz. Do jeito que o diabo gosta. Nesta ocasião, o diabo pode não ser tão feio o quanto parece. Aliás, bonito por sinal. Bem vestido, rebolando em um carro alegórico. No sentido metafórico, é claro. Influenciando a mente dos homens e mulheres. A eterna luxúria. Dizem que há foliões que "vendem" a alma para ele. E porque não? Afinal, são poucos e intensos os dias de folia. Não tem distinção. Noites e dias. É a mesma coisa. A rotina muda. As cortinas são abertas: portais do inferno. Para alguns, o paraíso. O céu de cada um. Para os que acreditam que há fogo no inferno, o carnaval é perfeito.
Sedução, pele, embriaguez de sentidos. O torpor invade as veias. E é por isso que nove meses depois, tantos rebentos! Sem falar das doenças sexualmente transmissíveis. A vida parece se resumir aos poucos dias carnavalescos. Acaba ali. Numa esquina, entre uma cerveja e outra. E o bom vinho? Bebida dos deuses. Este sim, cabe a uma classe mais distinta. E champagne? A elite.
Carnaval é a mistura de sangue, de raças e cores. É o desvario dos que sofrem. Uma maneira perfeita para extravassar. Como briga de torcida de futebol, mas com mais energia.
E enquanto isso, os políticos gozam da "privacidade" e da inércia de tantos!
Lamentável. O Brasil só se dá conta muitos meses depois. Aí, já é tarde. "Águas passadas não voltam mais".
Restam os resquícios. A dor da realidade e alguns sonhos de consumo.
A carne usada não serve mais. E os beijos? Tantas bocas. Onde estão os rostos? Apenas vultos. A consciência pesa. O coração grita, no entanto, sente-se aliviado. Afinal, o que importa é viver com plenitude a beleza e as paixões que regem o ânimo de quem aprecia o verdadeiro carnaval.
Sem moderação.