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As leis brasileiras e suas controvérsias

Quanto mais o tempo passa, pior fica o Brasil quando o assunto é cumprir determinadas Leis. O Código Penal, de mil novecentos e bolinhas, insiste em proteger aqueles que dispõem de contas bancárias com pelo menos sete dígitos. O caso mais recente é o do “ilustríssimo” Thor Batista.

Nunca ouviu falar do cidadão em questão, caro leitor? Pois vou refrescar-lhe a memória. Trata-se de ninguém menos que o filho de Eike Batista, ou seja, o homem mais rico de nosso querido país, e também um dos dez mais ricos do mundo. Ainda não ligou o nome à pessoa? Então, vou facilitar um pouco mais: o filho de Luma de Oliveira, a musa da TV, do carnaval e de muitos marmanjos de plantão.

Thor Batista é um menino bonito, mimado, de classe média altíssima, que adora balada com os amigos, sempre muito bem acompanhado de seus homens de preto, afinal de contas, um menino de “ouro”, como ele, literalmente falando, não pode mesmo andar por aí sem a companhia de vários seguranças.

Pois bem, Thor Batista, atropelou e MATOU um ciclista, depois de mais uma farra com seus amigos. Seu carro potente e caro, ficou destruído. Mas, o que seria um carro perto de uma vida interrompida? Em princípio, nada. Tanto que dias depois, talvez como prêmio por este ato “maravilhoso”, ele ganhou um carro ainda mais potente, de presente.

E como diria o ditado, “Quem perdeu é que chora...”
E, neste caso, somente quem anda chorando é a família do morto, pois bens materiais recupera-se, ainda mais quando a conta nunca passou nem perto da cor de sua Ferrari novinha, ou seja, do vermelho. Agora, vida não tem jeito mesmo. O que fica para a família é a revolta, a saudade e talvez uma possível indenização. Porque não somos tolos em acreditar em historinha de bandido e mocinho, na esperança de que esse filhinho de papai pague pelo crime que cometeu.

E o pior de tudo é saber que talvez não seja a última peripécia de Thor Batista, visto que há poucos anos atrás, ele atropelou outro ciclista. Este, porém, teve um pouquinho mais de “sorte”, pois sua vida foi preservada. Fora alguns dias no hospital, algumas fraturas e talvez um cheque “cala boca”, tudo continua como dantes no Quartel de Abrantes.

Povo meu, sabe quando esse "moleque" será preso?
No dia em que o Saci começar a cruzar as pernas. E por um motivo bem óbvio: cadeia, no Brasil, é para quem rouba uma lata de leite, no supermercado, para alimentar o filho faminto, e não para um playboyzinho que nunca soube o que é trabalho, e que troca de carro como quem troca de roupa.

A família do ciclista que perdeu a vida deve estar sofrendo e muito, mas ele, Thor Batista, dorme tranquilamente. Dizer que prestou socorro é muito fácil, mas todos nós sabemos que não foi bem isso que aconteceu, o buraco é bem mais embaixo. Mas enfim, o que governa o nosso país são o dinheiro e suas influências. Se fosse um ciclista que tivesse matado o filho do homem mais rico do Brasil, com certeza, este mesmo ciclista nem teria saído vivo de lá.

E a polêmica tem dado pano para a manga, mas no fundo, todos nós sabemos como tudo isso irá acabar perante as Leis do Brasil, ou seja, em pizza.  Aliás, em um bom e caro espumante, servido em taça de cristal. Afinal de contas, pizza engorda  e soa um tanto quanto pobre demais para alguém que desfila a bordo de um carro que poderia pagar o salário de milhares de brasileiros, inclusive o meu.

O que conforta é saber que Deus não dorme. E um dia o castigo chega.
Ô, se chega!...


Vanessa Pires
Enviado por Vanessa Pires em 30/05/2012
Reeditado em 07/10/2013
Código do texto: T3696461
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Vanessa Pires
Petrópolis - Rio de Janeiro - Brasil, 36 anos
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Vanessa Pires