ANTIGAS DELÍCIAS

ANTIGAS DELÍCIAS

Volto, mais uma vez, a falar de uma das coisas boas da vida. Comida. E, como sou um saudosista irrecuperável, amante de antigos endereços, principalmente em São Paulo, onde o prazer de se deliciar na mesa, era uma constante.

Devo confessar a vocês que não desdenho de comida alguma. Como dizia meu amigo e colega de Prefeitura de São Bernardo do Campo, Antonio Nilo Rizzo, um bom garfo por sinal, “de jiló a quiabo, gosto de tudo”. O Nilo, como o chamo, trata-se de um profissional na arte de comer. Quando participávamos de algum coquetel, gostava de estar perto dele, para apreciar sua técnica em se servir de salgadinhos, quando o garçom passava com a bandeja. Num passe de mágica, com aquele movimento de dedos que se faz quando alguém está surrupiando algo, o Nilo conseguia se servir de, no mínimo, três unidades numa só pegada. Não me esqueço, também, aquelas passagens com ele, nas idas ao Tribunal de Justiça, ou ao Fórum João Mendes, ali nos arredores da Praça da Sé. Dos ambulantes vendendo abacaxi em carrinhos. Tardes quentes, aquela fruta encoberta por gelo. Não resistíamos.

Voltando ao passado, quando criança, sempre ia com minha saudosa mãe Adelina para a Capital. Nos anos 40 após o fim da guerra. Tomávamos o ônibus no Largo da Ipiranguinha, veículos importados muito confortáveis. Fazia sucesso, na época, o filme Gilda, com a Rita Hayworth. Esses ônibus foram apelidados de Gilda. Parada final no Parque Dom Pedro II. Subíamos a Ladeira General Carneiro. Após as compras, na Casa Kosmos, na Sutoris, e outras da Rua Direita e adjacências, a parada era nas Lojas Americanas, onde tomávamos o delicioso sorvete de nozes. Já na volta ao ponto do ônibus parávamos na Sönksen, dos deliciosos chocolates, e lá embaixo, na Rua 25 de Março, comíamos as ótimas esfihas, kibes da Brasseria Victória.

Na São Paulo dos anos 50 e 60, um dos lugares inesquecíveis foi a Salada Paulista, ao lado do Cine Marabá, na Avenida Ipiranga. Uma imensa lanchonete onde comi ótimos bolinhos de carne, salsicha com salada de batata e maionese, e um delicioso chope. Na parede, um painel gigante de azulejos, com a figura do proprietário, um português. Outra casa de que tenho saudade, se bem que ela ainda existe, é a Califórnia, na Rua São Bento. Sua especialidade os sucos de frutas naturais, o cachorro-quente, e o sanduíche de linguiça de Bragança Paulista. Era um cubículo. Hoje mudou para o outro lado da rua, num espaço bem maior.

Na Rua Boa Vista, existiu o Restaurante Guanabara. Não sei se ainda está lá. Foi um dos preferidos de meu pai Tonico de Lima, e de seus amigos Okumura e Said Chedid. Ali estive com eles numa das saídas de sábado do Arquidiocesano. Ótima comida.

Aqui em Santo André, na mocidade, muito bom foi o Saladão, lanchonete dos anos 60, aberta pelo Duílio Pisaneschi, chefiada pelo saudoso Liberti. Na Rua Campos Sales. Outro ponto bem gostoso, a

Panamericana, do Arnaldo Delaringa, no Largo da Estátua. Em frente, o Paulista, bar e bilhar, cujo chapeiro, o Barnar, ficou famoso pelo churrasquinho com molho de tomate e cebola.

Para finalizar, pois, se assim não for, jamais haverá papel suficiente para caber toda a relação, cito o Bar Esporte do Eduardo, na Oliveira Lima, defronte ao célebre Quitandinha. Principalmente, pelos sempre lembrados almoços de sábado, quando o proprietário fazia um cardápio de comida árabe. Com umas Brahmas geladas, verdadeira delícia!

Bom apetite!

Aristeu Fatal
Enviado por Aristeu Fatal em 08/02/2012
Código do texto: T3486989
Classificação de conteúdo: seguro