Análise da traição por um “dono de casa”

Não que eu seja machista ou pense que só as mulheres devem ficar em casa com afazeres domésticos. Mas o que eu quero dizer é que aparentemente essas coisas ficaram impregnadas nos genes ou inconsciente de todas as mulheres que nascem diariamente. Parece mais natural.

São muitos anos, passam de 15, que eu convivo com o fato de assumir responsabilidades domésticas e decididamente não me acostumo.

Às vezes bate depressão, vontade de largar tudo e sair, ver o mar, encontrar um novo amor, romance, sei lá, algo que me surpreenda e me faça ver que a vida realmente vale a pena.

Depois bate a culpa. Minha mulher está trabalhando, se esforçando para conseguir o sustento da casa e demonstra ser muito fiel nestas suas andanças na rua, a trabalho e eu com este pensamento, que diríamos, no mínimo injusto, sacana.

Mas, o que é isso? Mal dos tempos? Talvez sim, talvez não.

Porém, não acho que o que está acontecendo é por que sou um homem. Porque não acontece com elas? Claro. Só acontece.

Motivos de traição? Acho que muitas vezes não existem. Traição por vingança é coisa de mentes infantis.

A palavra-chave é oportunidade. Temos um ditado que diz: a ocasião faz o ladrão.

O homem, por convenção sempre foi o mantenedor do lar e sempre ficou muito mais tempo na rua por motivo de trabalho. As oportunidades com o sexo feminino aparecem a todo momento, e dependendo das circunstâncias podem acontecer momentos únicos e é claro que o “macho alfa” vai aproveitar.

Neste caso, quem fica em casa com o trabalho doméstico, isto é, cuidando das crianças, do almoço, jantar, dos banhos do cachorro e dos dois gatos, da limpeza das fezes desses bichos, das roupas da casa, da limpeza em geral, de pequenas compras, de alguns pagamentos, de levar as crianças à escola e muitas outras pequenas coisas que se somadas dão pra enlouquecer, sempre é a mulher, que via de regra não é devidamente respeitada neste seu trabalho (nem remunerada), pois o homem (e a sociedade) sempre acha que seu trabalho é mais importante pois é o que traz dinheiro pra casa. E via de regra é a mais traída.

O que acontece então. Pode acontecer o que está acontecendo comigo agora.

Em plenas férias de faculdade, desanimado pra pegar em livros fora do período de aula, fazendo as coisas como um autômato e sentindo uma espécie de depressão, como força de expressão, mas que na realidade é falta de fazer algo diferente, que me alimente a alma e que me dê prazer.

Pode rolar daí uma aventura? Claro. É só aparece a oportunidade. Ficarei mais feliz? Sim. Por isso estarei deixando de amar minha mulher? Não.

Porque então as mulheres tem que ter esse poder de controle total sobre a psiquê e a sexualidade quando passam pelo que eu estou passando?

Digo sinceramente, que esta vida é uma merda. Um saco.

Vivendo numa cidade ensolarada, belíssima e cheia de mulheres lindas e disponíveis sinto-me as vezes castrado (e olhe que já passei dos cinquenta) nesta vida de “dono de casa”.

Aí vem este pensamento. Porque será diferente com as mulheres? Não creio que seja. O fato é que as oportunidades parecem ser um pouco menores.

Mas as que trabalham na rua (como a minha) e tem contato com o sexo oposto diariamente, vão naturalmente ter oportunidades à sua frente (homens bonitos e predadores também não faltam) e vez por outra, dependendo das cantadas e fragilidade momentânea do casamento (ou não) vão acabar na cama de um motel e vão ser felizes. Deixaram de amar os maridos? Decididamente, não. Lavou, enxugou, tá novo. É só trabalhar a psiquê. (e usar camisinha).

Inclusive, tem maiores chances de manter o casamento, pois não precisa de ereção para satisfazer seu marido ao chegar em casa. Este, coitado, se quiser traí-la precisará ser atleta sexual para que ela não desconfie de nada. A mulher pode sair de uma cama para outra sem grandes problemas, é só controlar sua psiquê.

Culpas? Quem sabe. O ser humano é uma máquina que se adapta com qualquer coisa.

Felicidade? Talvez fique mais feliz ainda em termos de completude do ser.

Quando falo disso tudo, estou me referindo a ambos os sexos, o problema é que os tempos mudaram e os homens ainda não evoluíram tanto quanto as mulheres. E os casamentos continuam. Não mudou de moda. Até aumentou o índice.

Mas a cultura sexual mudou. Então, temos um paradoxo e um dilema. A sexualidade se expande, se atualiza culturalmente, mas o casamento fica praticamente estagnado em termos de instituição. A mulher que trai sempre será vista como vagabunda, pois a sociedade é machista e ela mesma cria os filhos assim.

Fica a imagem de uma prisão, castração onde os parceiros tem que obrigatoriamente ser fieis um ao outro sem necessariamente ter certeza que é isso que querem. Será?

Mas os desejos surgem a cada momento, pois os hormônios são naturalmente incontroláveis e sob este aspecto, tudo pode acontecer.

Daí vêm as frustrações, anseios, mágoas, depressões e vários tipos de comportamentos que vemos num casal brigando e que quando se olha de fora não enxergamos realmente nenhum motivo real ou justo para brigas tamanhas.

Parecem ser explosões dissipadoras de energias que precisam ser extraídas das almas como numa catarse natural.

Então vem o aspecto moral. Desejo de liberdade intrínseco ao ser normal versus a prisão sexual exigida no casamento. Falo sempre de ambos os sexos, bem entendido.

É aqui que eu entro. O que estou dizendo aqui?

Não sou uma mulher, mas me coloco no momento no lugar de milhares, milhões delas.

Vejo que o sofrimento é grande. A sensação de impotência do ser é imensa (e olhe que estou estudando e com projetos de pesquisa na faculdade).

Minha mulher liga diariamente, como se quisesse mitigar o problema.

Sei que não é controle. Já fiz isso nos meus casamentos anteriores e apesar de algumas vezes ser controle, a maioria das vezes não era. Queria só saber da minha parceira.

Aí então temos que ser justos e dizer: se todos que traíram (homem e mulher) e continuaram bem em seus casamentos conseguiram conviver com o fato (ou culpa, dependendo do ponto de vista) e ser felizes e fazendo felizes seus filhos e cônjuge, porque a sociedade tem que julgar?

O que a sociedade faz por nós? Só nos retira a liberdade de tudo e não nos dá nada em troca. Nos subjuga e aliena, locupletando a nossa individualidade.

A hipocrisia impera e o endeusamento ao dinheiro parece ser o motivo de viver.

Não estou sendo traído (pelo que eu saiba), mas sempre que penso no assunto, tento me colocar no lugar das mulheres dona de casa, principalmente. Que vida de merda (no bom sentido). Se todos os homens passassem o que eu estou passando, talvez as relações entre os sexos fossem melhores e os casamentos mais felizes, mais verdadeiros, pois a alteridade seria assim plenamente exercida.

Por isso o grito de liberdade das mulheres, a emancipação um pouco desordenada, com certa mistura de anarquia e caos. Não é machismo. Elas precisavam e precisam de liberdade, sempre.

Li há alguns dias um texto que fala de uma antiga civilização gerida só por mulheres e nesta sociedade matriarcal a felicidade era plena, sem imbróglios entre gêneros. Porque não?

O homem é que precisa aprender a conviver com este novo ser, que é a mulher atual, vítima de tantas injustiças durante séculos e que nos últimos tempos vem reconquistando seu espaço. Talvez, quem sabe, para fazer o próprio “homem” mais feliz, pois sabemos que são todos verdadeiras crianças nas mãos das mulheres.

Traição? Ah, traição. E daí? O que será verdadeiramente a traição? De repente será a forma encontrada por ela (ou ele) para salvar o casamento. E amar mais ainda o marido.

Difícil de engolir, não é? Também acho. Há remédios que são amargos mas realmente eficazes. E temos que engolir se quisermos sobreviver.

Parece conversa de homem traído, não é? No meu terceiro casamento, realmente, se fui traído eu não fiquei sabendo, portanto, no jargão popular o homem só é realmente um traído quando descobre.

Não sou psicólogo nem estou fomentando a traição, mas quando acontece não podemos julgar olhando de fora do contexto do casal. Só o casal sabe o que acontece entre eles. O resto, é o resto. Estou tentando perdoar as mulheres que o fazem (não sei se conseguirei perdoar a minha se acontecer).

No mais, vou continuar a lavar as minhas roupas (da casa), calcinhas e fardas dela, estudar muito para não dar dor de corno na minha testa (pois mente fazia é oficina do diabo), escrever (como estou fazendo) e rezar para que as oportunidades não aconteçam do lado dela (pois do meu lado acho que eu aproveitarei todas, pois elas me criaram assim...).

Ps: mas não esqueçam que eu amo muito minha mulher!

01/12