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PAREDES BRANCAS

Certa vez me vi entre as paredes brancas do escritório onde trabalho. Nada ali me animava ao que quer que fosse. Contava os minutos que pingavam qual uma goteira ainda mal aberta. Entedie-me, confesso. Não gosto desse arrastar de tempo. É também como se a vida se arrastasse qual uma tartaruga. Pensava ficar louca de tanto pensar e ao mesmo tempo não ter o que pensar.

Coloquei de lado todos os papéis que precisava organizar. Até isso eu perdi a vontade.
Então olhei a parede branca, única paisagem que minhas retinas podiam captar. Fiquei pensando em como ela parecia ser uma barreira para a vida. O que eu via nela? Nada que pudesse acalentar-me a mente vazia. Não compreendia que a vida está além das retinas.

Mas depois pensei que as paredes nos dão a segurança da violência que destrói o mundo lá fora; dá-nos a solidão que muitas vezes precisamos para criar ou repensar nossa própria vida, nossa maneira de encará-la. Foi então que cheguei à conclusão que não se criava nada ao relento. Pelo menos eu não consigo. Jamais escrevi uma só palavra a céu aberto, olhando a natureza.

As palavras nasciam somente quando me recolhia em meu refúgio de paredes brancas. Ali sim, elas jorravam quais cascatas. Nunca consegui compreender isso. Mas naquele dia sim. Naquele dia eu pude compreender a importância daquelas paredes brancas. Entre elas nascem poesias sem limites. As palavras são infinitas. Entre elas vive-se o amor em todas as suas facetas. Entre elas há mundos imaginários. Entre elas se resolve problemas ou se criam problemas. Sonhos são vividos ou envelhecidos. Vidas são geradas e vidas nascem...

Depois de tanto pensar, percebi que as paredes brancas não mais me assustavam. Havia ali tanta coisa escondida. A mim competia descobri-las e vivê-las ou não. Transformá-las em palavras ou não. Por certo o mesmo tempo que se arrastava me mostraria as oportunidades em suas horas pingadas.
Sonia de Fátima Machado Silva
Enviado por Sonia de Fátima Machado Silva em 20/12/2006
Reeditado em 10/12/2008
Código do texto: T323358
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Sonia de Fátima Machado Silva
Coromandel - Minas Gerais - Brasil, 57 anos
1341 textos (58459 leituras)
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2 e-livros (150 leituras)
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Sonia de Fátima Machado Silva