VIVER NA ESCURIDÃO.
Sonegados e subtraídos pelos prazeres da vida, como fantoches de seus destinos, sem leme firme ou norte apontado, vagam seres na escuridão de vontades pretendidas, supondo na irrealidade da pretensão subir a alturas nunca alcançadas.
Vagueiam perdidos na sanha da procura de seu próprio eu, desconhecido, estranho, imaginoso e imaginário, fugaz até mesmo de verdades pequenas e necessárias para sobreviver com dignidade como “quem sou”.
Não há ponto de encontro de seu caminho, a porta da vida real não foi aberta, a escolha relega ao segundo plano a clareza da alma.
Vive-se na mentira, na escuridão, escondendo da luz a realidade em ser.
A estrada anímica resta perdida, entre comoções e omissões, tropeça, confunde, deprime.
O espírito é assaltado, a mente desfavorecida.
Falta a luz do amor........
Quando não rebrilha a luz do sol, a vida se torna sombria, mera escuridão atravessada de incertezas e rebates da caminhada, vazia, por vezes espúria, limitada, descolorida, sem atrativos.
Por quê?
Se não se ama a si mesmo, por não aceitarmos como somos, nossa realidade, muito menos amamos a humanidade.
Se não aceitamos a integridade com a qual fomos postos chegados ao planeta Terra, não realizaremos nossa missão, seja qual for sua dimensão.
Partiremos partidos. Seríamos um limbo espiritual.
Quem rejeita sua história, recusa suas raízes.
A árvore fica enfraquecida porque deitada em húmus que não a alimentou, e tomba pela ruína.
As partes não formam o todo se estão fracionadas, divididas. O que divide perde a força, e o todo, a integralidade, se esgota, se exaure, esvai.
A finitude do ser começa com a consciência de não se aceitar como é, passa por uma vida conturbada e cercada de dispersão emocional, e se perde na torrente do desencontro, aflito, ansioso, paranóico, obessessivo, turbilhão para onde convergem a soberba, a ausência de simplicidade, a inexistência de humildade, a escuridão enfim.