CLARICE LISPECTOR.
“Eu nem entendo mais aquilo que entendo. Pois estou infinitamente maior que eu mesma, assim não me alcanço.” Clarice Lispector.
Qual espaço habita esse verbo?
O mergulho explicativo do mundo e das suas vertentes, das pessoas, de suas fraquezas, de suas necessidades todas, tornam a corrida frenética da inteligência uma disputa da realidade e do que se sonha.
É o condicional que impera nos seres iluminados, aqueles que podem entender e, por entenderem ficam surpresos com o que queriam sonho e é realidade.
Buda, o principe Sidarta, viveu a posição contrafeita, e é um bom exemplo. Vivia o sonho palaciano onde seu pai abastado o encerrou cercado de todas as riquezas e deleites. E, fora dos muros do palácio, viu o que era a realidade. Mudou para mudar aqueles que o compreendem e se iluminam estando despertos, poucos.
Essa saga, verdadeira cruzada da procura do entendimento, primeiro estágio do pensamento, faz por vezes alguns guindarem-se ao topo da compreensão, ponto de chegada e objetivo final, onde a inteligência alcança a luz.
Nessa altura, compreensão pacificada, desse patamar, nobre cumeada, o entendimento nega o entendimento, por visibilizar o caminho onde todos deviam iniciar os primeiros passos e assim não ocorre.
Passa-se a não entender o entendimento adquirido, ou seja, a compreensão é maior do que a meta atingida e não se alcança a razão que faz todo o entorno da vida; fica-se maior do que si mesma.
Essa estatura, sente-se, principalmente, com a interlocução com estranhos, onde estes ficam surpresos com a compreensão acompanhada da frustração de como sobrevive a humanidade.
Uma enciclopédia em duas máximas da notável escritora, que é artesã da vida, do pensamento, dizendo-o magistralmente, como nessa frase que fecha toda a hipótese, boa de celebrar: “Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa qualquer entendimento.”