HORA DE IR...

Engraçado, eu sempre ouvi dizer que nossa evolução de um estágio, de um estado emocional ao outro se dá de forma gradativa. De certa forma é verdade, mas o momento crucial e definitivo da transição dá-se em um instante. Em um único segundo como se fosse um estalar de dedos. Foi assim que aconteceu comigo mais de uma vez e como aconteceu agora também. As vezes eu me sinto um Pokemon.

A coisa mais difícil de se fazer quando se encontra um grande amor, não é se entregar ao sentimento e vivê-lo com maestria. Isso acontece naturalmente quando se trata de um grande amor. O mais difícil é deixar esse amor partir. A sensação de amar é tão maravilhosa - principalmente quando é recíproca - e nos faz sentir tão plenos, que nos apegamos ao momento em que vivemos esse sentimento com unhas e dentes. Fazemos isso na tentativa de fazer com que o tempo pare, para que agente possa viver em eterno êxtase numa fenda, um lapso de tempo imutável e constante. Mas felizmente se generalizarmos e infelizmente nesse caso específico, a vida é cíclica. Uma onda em constante movimento que nos empurra e leva para um futuro o qual não conhecemos. E por ser desconhecido, às vezes quando caminhamos por essa estrada rumo ao amanhã, esbarramos com imprevistos, alguns desejáveis e outros não. Vidas desabrocham mas também são ceifadas, destinos se cruzam, se unem, enquanto outros se desatam.

Esse ano eu abri mão do meu aniversário só pra guardar comigo o último que passamos juntos, o melhor de toda a minha vida! Mas ainda agora, naquele tal segundo, instante onde tudo muda. Eu sem querer perguntei a mim mesma:

_Quantos aniversários mais eu não farei pra guardar comigo aquele instante?

A resposta veio quase que de imediato:

_ Farei todos ou outros aniversários que virão.

Por maior e mais lindo que tenha sido o que eu vivi. Por maior que tenha sido o encanto com que esse amor coloriu o meu aniversário de 2009, eu não posso e nem tenho o direito de abrir mão de mas nenhum aniversário além do de agora, para manter um único apenas. Eu não posso parar o tempo e nem a história, mesmo que seja a minha.

Ele morreu, e nada me resta a fazer senão deixar que morra.

Ele foi embora, nada me resta a fazer senão deixar que se vá.

Ele não está mais aqui, nada me resta a fazer senão parar de me agarrar a sua alma.

Ele se foi e me deixou aqui, segurando com as mãos um monte de amor sem saber o que fazer. E o que eu faço agora?

_ Apenas abra as mãos. É hora de partir...

cinara
Enviado por cinara em 10/10/2010
Reeditado em 10/10/2010
Código do texto: T2549463
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