O Tempo Lento
No meu jardim aquela rosa vermelha desponta cheia de pompa como se fosse a única beleza existente e de fato é, sua indescritível cor de sangue encarnado como se diz no nordeste ou de paixão forte que até mata, sua imponência me lembra aquela bela moça que passa e não me vê, discretamente com seu vestido que balança suave roçando seu lindo corpo e deixando meu coração em pedaços.
E por falar em coração, ele anda meio insatisfeito e não sei exatamente o motivo, talvez seja pela dor que o mundo transpira e nas pessoas se alojam, no mau gosto e na maldade que todos se inspiram, exemplos esdrúxulos e conquistas inequívocas, prazeres medianos e sonhos pequenos e frágeis demais para sustentar vontades vorazes, frias e tão insignificantes comparável a beleza daquele botão que brota e desmente as mazelas de sua feia moldura.
Ao passo que o tempo lento determina o aroma que a vida jorra nas esquinas da solidão que encontro no sorriso raso ou na percepção do vazio existente atrás daquela vidraça ou nuvem de fumaça que compõe o momento sem o devido sabor que inibe o aflorar dos sonhos sem medidas e utópicos que dá o delicioso gosto da vida.
Mas não me rendo e aprendo com a dor que existe, talvez ela me ensine a entender a dignidade de sofrer e na certeza que vou morrer sim, mas por amor e por muito querer, me perco em equívocos e nos caminhos tortuosos que o desejo propõe, assim deslizo, navego no compasso dos dias e momentos insólitos, me surpreendo com o poder do sorriso seu, que invade meu peito e quando me deito e desperto ainda quero você, decididamente se voltasse o tempo queria novamente amar você, perdidamente amar você.