.flor

... o meu amor me chama assim, "flor", como se me protegendo assim numa redoma de cuidados e afeto, pudesse ele me proteger das mazelas que me roem por dentro, dos bichinhos que vem pela terra carcomendo minhas raízes.

O meu amor me chama de flor, como se lhe orgulhasse o motivo de tal metáfora, a minha fragrância delicada e frágil, essa natureza de enfeite que reluz tanto ante os seus amigos com tapinhas nas costas e olhares admirados por uma silhueta de flor, de mulher, disso aqui que eu sou sem ser eu; e essa natureza de enfeite é em mim tanta realidade, enquanto nos outros enfeites são máscaras, uma entre suas muitas vestes.

Não possuo força sequer pra dissimular o que sou, (e eu sou?), uns espinhos... mas nada! Meus inimigos por eles não se détem, meus amantes por eles não possuem qualquer temor e também eles (amantes) me machucam.

Ai, que eu não quero ser flor!

Ai, que eu não quero ser sua flor...

Ai, que eu já não quero ser arrancada por esse tal amor.

Ai, que eu não quero ser flor!

Eu quero ser daninha, e que você se dane, meu caro amor.

Ingrid Fernandes
Enviado por Ingrid Fernandes em 13/10/2009
Código do texto: T1863577
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