Os últimos 8 anos...

Pois é, novo ano, mas desta vez um balanço mais extenso, um olhar para trás mais prolongado…

Tal não se vislumbra propriamente animador…

Faz agora em Janeiro precisamente dez anos que acabei um dos meus Cursos, e uma torrente de coisas boas invadiu a minha vida, indiciando que os anos seguintes seriam luminosos…

Mas não foram…

Deixando 1999 de lado, pois foi um ano atípico, apesar das duas mortes pessoais que o tocaram, deve ter sido o melhor ano da minha vida, em todos os sectores.

Mas a análise é aos derradeiros 8 anos, até porque não me alimento de recordações gloriosas, porque tenho uma esperança pouco secreta que estas se repitam no futuro…

Mas ao recordar-me destes últimos 8 anos, fica uma sensação de espectacular fracasso, de tudo o que 1999 prometia de bom, se desmoronou de uma maneira quase catastrófica…

Tive imensos amores, aliás, penso que nunca amei tanto, amei demasiado, e esses amores desfizeram-se dolorosamente em nada, sendo que não me orgulho de nenhum deles, e se pudesse apagar a memória, de certa forma que viveria sem eles, mas não posso, e todos temos que viver com o nosso passado, não é…?

Depois os trabalhos sucederam-se uns aos outros, demasiados, sendo que gostei de todos, mas, por determinadas circunstancias não os pude continuar para além de um ano…

Estou num que adoro, mas a coisa está muito tremida e não sei quanto tempo mais lá irei estar, por mim seria para sempre, mas nestes dias, o que é para sempre…?

É a sensação de fracasso é espectacular, no sentido trágico da coisa em si…

Se fosse um derrotado nato, acharia que nada há a fazer e que as coisas são como são, que poderia ter um só amor, um só emprego, mas que as coisas falharam e nada há a fazer…Mas não sou, tenho um sonho de estabilidade e é por esse sonho que continuo e continuarei a lutar…

Mas estes últimos oito anos também tiveram coisas boas, e não foram poucas…

Para começar nasceram as minhas duas sobrinhas, que amo como filhas e que sei ser amado. Elas são os meus raios de sol, e eu conto os dias até as poder voltar ver de novo. Elas são o futuro, parte do meu futuro, e eu sempre amei o futuro, sempre vivi de certa forma nele. E por falar em família…também me aproximei dela, depois de uma quase vida de ausência, sendo que hoje estou presente e faço essa presença sentir entre aqueles que me amam, e eu sei que eles gostam deste novo estado, pois passei a fazer parte da família, não apenas fisicamente (como sempre fiz) mas sobretudo mentalmente, num espírito de clã, do qual sou hoje um dos portadores do estandarte fraternal, e um dos seus dinamizadores, algo a passar para as gerações que nos irão suceder, legado que transmito com o carinho com que o meu grande Mestre Avô me soube tão bem legar.

Depois…bem, depois voltei a encontrar o meu Deus, primeiro em Taizé (França) e em seguida no resto do mundo, sendo que me tornei num católico liberal, de vistas largas, fruto de anos de agnosticismo, fruto de anos em que Deus era a minha ciência, sendo que hoje a parte agnóstica e cientifica não desapareceu de todo, mas que convive muito bem com a outra, num engraçado equilíbrio critico que me permite estar confortavelmente entre estas duas realidades que me completam.

Ah…Pois…com as visitas a Taizé também descobri uma Europa que só era familiar dos livros ou da televisão, descobri cidades maravilhosas como Paris ou Veneza, descobri as maravilhas de só poder falar outras línguas para me desenrascar, outros povos, outras culturas que me completam a um nível que nunca pensei possível, a um nível que só pensava existir nos livros, mas que existe lá fora, basta sair de casa, basta ir ao mundo global, basta viajar…

No que toca à escrita, parece que “explodi” nestes anos, sendo que consegui conciliar a minha vida laboral e social com uma profusão literária, cujos números são reveladores: 1300 poemas e mais de 200 contos, é parece que já deixei obra, embora tenha tantos planos que na próxima década literária os números poderão muito bem ser duplicados…E até estou em conversações com algumas editoras, sendo que nos próximos tempos poderá haver novidades, boas ou más, elas aparecerão, sendo que a única coisa que tenho como certa é que não pararei de escrever nunca, só quando fisicamente me for impossível, pois como escrevi um dia, eu sou aquilo que escrevo, e aquilo que escrevo sou eu, sendo que quando parar de escrever deixo de o ser…

E nestes anos avassaladores descobri a internet, a informática, divulgando a minha obra nela, fazendo amigos e amigas, pesquisando para a minha escrita, pesquisando o mundo, viajando imensamente por esse mundo fantástico disponível com apenas meia dúzia de toques num botão…Dar a verdadeira dimensão do que a internet revolucionou a minha vida é quase impossível, pois ela mudou-a radicalmente, fazendo aceder-me a patamares de conhecimentos em todas as áreas que me seriam de todo impossíveis fora dela, e que me tornam de facto um cidadão do mundo.

Por último…Penso que nunca fiz tantas amizades como nestes anos…

E não estou a falar de amizades de copos, que se fazem em minutos e que se desfazem em segundos, não, estou a falar de amizades sólidas, daquelas “antigas” que duram uma vida, daquelas que nos fazem sentir melhor quando pensamos nessas pessoas que estão, longe ou perto, mas estão de forma inequívoca a nosso lado.

Nesse aspecto considero-me muito bem servido e até sem razões de queixa, pois se para cada nova pessoa que ficou e ficará passaram por mim outras mais volúveis, francamente que não me importo com o resultado final da coisa, pois se temos fieis perto de nós, se sabemos que podemos contar com esse tipo rara de gente, o que importa os que não conseguiram ficar, ou que o tempo levou…?

E agora de repente, ao olhar para este texto reparo que as coisas afinal não foram tão más como isso, que apesar da dor demasiado excruciante para ser descrita, muita coisa boa aconteceu, que não me tira essa sensação de fracasso de todo, mas que a aliviam e me fazem querer lutar por uma vida melhor, com a sensação que de facto ela pode ser possível, basta não fazer demasiados planos, basta ter um pouco de sorte, imensa determinação e capacidades de luta/trabalho, e uma fé inquebrantável.

Ora Fé foi uma coisa que nunca me faltou, mesmo quando agnóstico…

Miguel Patrício Gomes
Enviado por Miguel Patrício Gomes em 02/01/2009
Código do texto: T1364082
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