Meu Pai Morreu - Parte Final - A Revelação
Meu Pai Morreu – Parte Final – A Revelação
Tenho ouvido muito sobre a maneira de os filhos encararem os pais na infância, adolescência e idade adulta. Os mais instruídos tem dito:
“Dos 6 aos 12, meu heróis. Dos 13 aos 22, não sabem fazer nada. Incapazes, ingênuos, incoerentes, chatos, falsos, impertinentes. Dos 23 aos 30, fico impressionado de como aprenderam a fazer tudo em tão pouco tempo. Fazem em 10 segundos coisas que eu levaria um minuto. Conhecem o caráter das pessoas sem nem mesmo saberem seus nomes. Dos 31 em diante: ´Queria tê-los comigo`”
Faço minhas essas sábias palavras. Gostaria de tê-lo comigo, mesmo com todas as suas chatices, manias, queria-o aqui. Comigo. Gostaria de abraçá-lo novamente, sentir seu calor em um olhar sorridente. Seu sorriso, que era dentadura, pois ele fazia questão de mostrar.
Deixá-lo me abraçar, dizer que me ama. Deixá-lo me acordar, indo até a minha cama. Ficar parado. Só olhando. Sem nada falar.
Não veremos mais. Não veremos mais ele sempre falando: “- Olha só, vai ter alguém me chamando. Vá correndo, não os deixe esperando, pra vender ou comprar.”
Não veremos mais.
Sempre ouvi poetas dizerem com ardor, que precisa perder pra aprender a dar valor. E, depois que se vai, saudades!
Comigo seria diferente? Eu sou por acaso poeta ou demente? Ao falar desse sentimento penso, felicidade!
Tenho uma verdade à confessar: Não veremos mais isso! Não, não vou precisar disso!
Uma lágrima agora escorreu
De alguém que a verdade escondeu
Abrace seu pai, pois ele não morreu
Ele ainda está ao seu lado, assim como o meu
Durante um período, eu menti pra você, para fazê-lo pensar no que significa viver. Viver sem ter alguém que é muito importante. Alguém que, talvez, um dia esteja bem distante, e que nunca mais o possa tocar.
Pense nisso, faça como eu. Finja, por um tempo, que o seu pai morreu. E, quando ele chegar...
...Alegre-se...
...e...
...Corra para o abraçar...