Vale a Pena Gastar 10 Mil em um Celular?

 

A resposta é não — a não ser que seja um iPhone e, claro, dependendo da sua necessidade.

 

Se você só quer acessar a internet e tirar fotos para exibição, um celular de, no máximo, 3 mil reais já atende perfeitamente.

 

O Jogo da Apple

A Apple é esperta. Desde que comecei a usar iPhone, em 2011, a marca me prendeu com o iCloud, que sincroniza meus arquivos, fotos e textos na nuvem. Se eu mudasse para outro sistema operacional, perderia todo esse conteúdo. Por isso, desde então, só uso iPhone.

 

E a verdade é que quem tem experiência com um iPhone dificilmente quer trocar. O custo é alto, e a marca tem valor agregado pelo status. Mas, se você compra só por causa da maçã mordida, você é um idiota.

 

Produtividade, Entretenimento e Criatividade

No meu caso, estou disposto a investir até 11 mil reais porque não vejo isso apenas como um celular, mas como um aparelho de produtividade e entretenimento.

 

Sou um usuário hardcore e produtor de conteúdo. Preciso de uma boa câmera para registrar meus looks, escrevo e edito meus textos no celular, gravo e edito áudios no GarageBand, e, agora, com os novos modelos, até mesmo jogarei games AAA — os mais aclamados.

 

Minha rotina é atribulada. Não consigo parar para ligar o notebook, o videogame ou até mesmo ler livros impressos. Por isso, tenho um Kindle. Claro que prefiro ler em papel, ouvir música numa vitrola e jogar numa tela grande, mas meu tempo não permite. Já o celular, está sempre à mão.

 

Para mim, vale a pena. Para você, talvez não.

 

O Tempo Não Espera

Se você acha absurdo gastar isso num produto “supérfluo”, talvez tenha razão. Mas a vida é curta. Não temos tempo para arrependimentos ou adiamentos. Daqui a pouco, estamos velhos e morremos. É preciso aproveitar enquanto há tempo.

 

Se você acha que esse dinheiro seria melhor investido num carro, eu pergunto: que carro custa esse preço? E a gasolina? E os reparos e a manutenção?

 

Além disso, moro perto de uma estação de metrô, não dirijo e nem tenho habilitação. Um carro me traria conforto, mas gastaria muito mais. No momento, o que me dá mais prazer é continuar produzindo conteúdo e aproveitando os jogos de videogame disponíveis para iPhone.

 

O Custo Inteligente

É a mesma lógica de eu não ter plano de saúde. Trabalho no SUS e tenho acesso facilitado a vagas. Por que pagaria um convênio?

 

O único empecilho para eu comprar esse celular não é o dinheiro, mas os ressentidos e invejosos — os bandidos que roubam para vender e comprar droga. O celular, que para mim seria uma ferramenta de produção de cultura e conhecimento, cairia na mão de um vagabundo que só quer exibir a maçãzinha.

 

O Direito ao Luxo

E se me perguntam como ganho o mesmo que meus colegas, mas me permito gastar 11 mil num celular que nem médicos compram? Simples: porque as pessoas não são iguais.

 

Se consigo isso, é porque dei a mim mesmo uma vida que me permite. Porque entendi que coisas boas são mais caras, mas também têm alto custo-benefício e duram mais.

 

Minhas roupas de grife, por exemplo, continuam impecáveis até hoje. Cuido bem delas, e, por serem de qualidade, duram anos. Se eu não engordar ou ficar mais forte, continuarei usando por muito tempo.

 

A preservação é a lógica do conservadorismo: quanto mais você preserva — seja instituições ou bens materiais — mais você acumula e tem. Mas as coisas devem servir a você, e não o contrário.

 

O Melhor Negócio

No fim, a pesquisa é fundamental. Talvez seja mais barato comprar um plano de celular que já inclua o aparelho.

 

É como aquele anúncio que vi uma vez: “Compre esta macieira e ganhe este terreno de graça”. O poder da beleza da árvore valorizava tudo ao seu redor.

 

Além disso, há lugares que vendem mais barato que a loja da Apple e oferecem parcelamento sem juros, como a Magazine Luiza. Para quem não compra à vista, pode ser uma boa opção. Mas, se puder pagar tudo de uma vez, melhor ainda: ganha desconto e não se endivida.