Dave Le Dave: De LIXO ao LUXO.
Um dos quadros que eu mais gostava na Superinteressante era Quatro Luxos e Um Lixo. Estranhamente, foi descontinuado porque o editor da revista não o considerava tão relevante. Nesse espaço, um convidado fazia uma lista com quatro coisas que considerava um luxo e uma que considerava um lixo.
Lixo
Nunca chamei ninguém assim, porque acho um xingamento muito pesado e ofensivo.
Nem os jogadores do Palmeiras, que pelo que fizeram ontem contra os gambás, deveriam ser chamados disso para algo mais baixo.
Mas como o Palmeiras me trata igual mulher de bandido — me bate, e eu não largo por amor — já comprei ingresso para a estreia do time contra o Botafogo no domingo.
E, sim, terá foto do look do jogo aqui, para o recalque das minhas inimiga!
Para mim, só coisas podem ser lixo, não pessoas. Algumas palavras são tão hostis e agressivas quanto palavrões, como desgraça e lixo. Mas, ironicamente, muita gente xinga os outros de lixo sem perceber que elas mesmas são expressões do próprio chorume.
Na adicção, vivendo naquele mundo, muitos adictos se referem a si mesmos como lixo. Então, eu também me incluo nessa categoria.
Luxo
Mas, vivendo sobriamente, sou o filho quase perfeito da minha mãe. Hoje, fui trabalhar de manhã e chegou uma senhora dizendo que estava muito feliz em ver minha mãe, mas ainda mais feliz por ver o “filho lindo, educado e simpático” dela trabalhando ao lado dela. E que eu falo bastante.
Eu gosto de atender o público justamente para poder conversar. Gosto de interagir. Não sou tão extrovertido a ponto de puxar assunto com desconhecidos na rua, mas, como minha função exige falar, eu aproveito e falo mesmo.
Apesar do recalque das invejosas, que acho que me amam platonicamente mas que comigo não vão arrumar nada porque amo outra pessoa, quem me elogia sempre é ou muito velho ou muito jovem. Muito jovem porque ainda é inexperiente e não aprendeu a dissimular o olhar como as mais velhas fazem com o tempo. Como diz a música de Noel Rosa, “Pra que mentir?”, ou a de Cartola, “O mundo é um moinho.” Já as mais velhas desenvolveram aquela embriaguez da velhice — falam o que pensam, sem nada a perder. Tipo o Silvio Santos no fim da vida, que flertava descaradamente com qualquer convidada do seu programa.
Mas, estando sóbrio e abstêmio, aquilo que me fazia um lixo na adicção virou luxo. Essa alquimia de transformar a merda em ouro é para poucos. Agora sou o filho modelo da minha mãe, símbolo de cultura, elegância e educação — daqueles que você olha e pensa: “Esse menino foi bem criado pela mãe. Que menino polido, garboso e educado.” Igual a um gato que, pela qualidade do pelo, você sabe que é de raça e foi bem tratado pelo dono.
Eu sou, simplesmente, um luxo.
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Nele, falo sobre o recalque das minhas inimigas, que estão de ++++. Ainda dá tempo de escutar!
FODACAST: Minhas Inimiga do Recanto tão de +
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