Tempos modernos, dramas antigos
Shakeaspeare observava e retratava a alma humana com a precisão de um psicanalista, ter tamanha sensibilidade é uma característica típica dos exímios dramaturgos e poetas – penetrar no âmago da alma, destrinchar e revelar seus tormentos e gozos. Apesar de tornar-se conhecido por Hamlet, Romeu e Julieta, entre obras de viés romântico, em várias outras observa-se o elemento política como destaque central, como Macbeth e Marco Antônio.
Os tempos mudam, os cenários se alteram, mas os dramas humanos permanecem os mesmos. As grandes tragédias que envolvem a psique humana, desde os mais primórdios tempos, gravitam sempre em torno de um drama central: o poder. Disputas ideológicas, mesquinhez, mentiras e planos sórdidos. Os meios são muitos, mas o fim é sempre o poder. E, embora os fins não devessem justificar os mesmos, sabemos o que acontece na prática. Exemplos, ao longo da história, temos vários – inclusive contemporâneos.
Macbeth reflete essa disputa e suas consequências, exatamente como observamos na política atual. Assassinatos planejados, traições, trocas infindáveis de acusações. A política “pão e circo” ainda é tão eficaz quanto nos tempos da Roma antiga. Ela distrai o povo, tirando o foco do que de deveria ser de fato observado. Ainda discutimos e matamos uns aos outros, para defender ideologias em formas de líderes. Seja na Esquerda, Direita. Progressista ou Conservador. Independente de qual lado defendido, há fanáticos e mal intencionados. Geralmente estes últimos se aproveitam dos primeiros, mas não se pode necessariamente falar em vítimas, nessa disputa, todos são algozes e carregam em si a vaidade e a insaciável busca pelo poder.
Como na época do Circus Massimus, entre uma e outra corrida de bigas, o drama real se desenvolve nos bastidores. Enquanto isso, a plateia em sua maioria, contenta-se com as aparências, reage com rasos comentários evasivos e superficiais, distraindo-se e de certa forma, divertindo. Acreditam que não são manipulados. Manipuláveis? Somente aqueles que discordam deles e são do "lado oposto". Talvez a poesia e o bom senso tenham algo em comum: nem todos têm olhos para vê-los e senti-los. Os tempos mudaram, mas nem todos tem a capacidade de compreender as obras de Shakespeare, nem a política.