Nazistas em Pindamonhangaba
- Sei, não, mas acho, só acho, que os nazistas estão invadindo Pindamonhangaba.
- O quê?! Sério?!
- Mais sério, impossível. Hoje, minutos depois de eu cair da cama, andava eu, exibindo a minha beleza apolínea, às dez horas, pela Rua dos Expedicionários quando, do lado de lá da rua chegou-me aos ouvidos: "Fala, tranqueira!" Foi um homem (um daqueles que parecem saídos da era cenozóica), que ia em sentido oposto ao que eu seguia, que proferiu tal sentença. E do lado de cá da rua, uns metros à minha frente, seguindo o mesmo sentido que eu ia, um tipo pequeno, redondo, de andar pendular, respondeu-lhe: "Beleza, corinthiano! Domingo tem mais!" Ao mesmo tempo que proferiram tais sentenças, os dois homens, simultaneamente, como que coreografados, em perfeita sintonia, estenderam o braço direito e, mantendo-o por, se muito, dois segundos, para a frente e para o alto, com a palma da mão aberta acenaram um para o outro. Sei não, mas o gesto deles pareceu-me uma saudação nazista.
- Deixe de asnice, cara. Eles apenas acenaram um para o outro. Um deles, num lado da rua, o outro, do outro lado, indo sem sentido oposto, então... Deixe de grilo.
- Sei, não. Sei, não. A coisa 'tá preta.
- Racista!
- Quê?! Racista, eu?! Por quê?! Ah! Entendi! Pôxa! Só usei uma expressão popular, meu! Deixe de besteira! Você é dodói da cabeça?
- Dodói da cabeça... Sou eu que vejo nazista em todo lugar?