Art. VR
A SINETA DO FIM
Valdi Rangel
O sol quente, beirando ao meio dia, me trazia, um calor de inteira alegria, já estava chegando a hora, de me arrumar, me alimentar do cardápio invariável de minha mãe.
Era sempre o de sempre, o feijão com arroz, uma carne de acém, guisada, misturada com um pouco de farinha, e depois um copo de ponche, eita, ninguém resiste a um
cardápio deste.
Eu comia de me acabar, mas o meu pensamento, já estava acelerando os meus passos, e de imediato, eu já saia, era assim todos os dias, era o mesmo trajeto, que eu fazia, e meia hora depois, me encontrava no pátio da minha escola, onde lá, eu me esquecia de tudo, correndo atrás de uma bola de futebol, o suor escorria pelo meu corpo, a bola, a pelada, o anseio, o desejo de marcar um gol, era como receber um prêmio de loteria.
E alguns minutos depois, chegava, o que mais eu detestava, o toque daquela sineta, que Dona Vitória, tocava, ordenando que os alunos, se dirigissem, para as suas respectivas, salas de aulas, e isso, me entristecia a alma.
E na sala de aula, entre verbos, pronomes, análise sintática, propriedades matemáticas, eu me sentia um conjunto vázio, um zero a esquerda, e o meu pensamento, voava, para o pátio da escola, eu não via a hora do recreio chegar.
E um dia, o recreio não veio, e a pelada no sol quente, esfriou, o meu desejo de fazer o gol da vitória, antes que dona Vitória, tocasse o sino da minha agonia.
E o jogo terminou, no toque final da sineta, de dona Vitória, numa bola chutada, sobre o travessão de minha infância.
visite o meu blog
Poesianoprato.blogspot.com