Deixa quieto, não está mais aqui quem falou. Esta foi a resposta que eu dei no Grupo da minha Comunidade Residencial.
Havia mais uma discussão dos participantes sobre segurança. Provavelmente a centésima. Este é sempre o tema central, que movimenta o Grupo. Tenho a impressão que alguns moradores passam o dia e a noite nas suas janelas e varandas com o aparelho celular apontado para fora com o dedo na câmera. Fotografam e filmam tudo o que os ditos "moradores de rua" fazem. Se os protagonistas da nossa película sequencial usam drogas, deitam-se sob as marquises, espalham lixo, furtam objetos nas residências, lojas e veículos, gritam palavrões, sobem ou descem as ruas arrastando carrinhos de supermercado, urinas ns paredes, praticam sexo, desfilam nus - tudo é registrado!
Em meio à tragédia eufórica, a liderança comunitária aciona a polícia preventiva, a polícia civil, a rede de vizinhos. Prepara-se e cria uma boa declaração á imprensa, que adora dar furos de reportagem. Às vezes reúne pequenos grupos de queixosos e lá vão eles para as portas dos Gabinetes dos parlamentares e demais autoridades cosntituídas.Levam cartazes, bandeiras e frases de efeito com as reinvidicações e gritam nos megafones por socorro.
As respostas são sempre incompletas, extemporâneas, evasivas. Alguns moradores, como eu, são céticos quanto à solução institucional. Parece-nos que. na conjuntura atual, quanto maior o caos, melhor. A imprensa publica os depoimentos, às vezes mostra a realidade, outras vezes distorce os fatos. A verdade é que mais atrapalha do que ajuda.
Alguém trouxe pela vigésima vez a proposta de contratação de empresa de segurança particular e os custos a serem cotizados entre os moradores, Pronto! Alguns não querem nem ouvir falar em por a mão no bolso. Outros argumentam que traria tranquilidade às pessoas para usarem o espaço público com recreação, esportes, convivência saudável entre vizinhos. Mas 80% se omitiu, fingindo que o problema não é deles. Tentei envolver a comunidade no sentido de experimentar os serviços de segurança. Nada mudou. Pior! voltaram a debater o sexo dos anjos, acabaria com a nobre tarefa dos fotógrafos-filmadores e com os áudios diários, relatando os movimentos dos marginais. Fui lá na área de publicação do Grupo e escrevi:
Deixa quieto, não está mais aqui quem falou.