Varado de fome

Num dia quente ensolarado

Lá no meio do sertão

Um matuto, meio forte

Tava em grande aflição

Com a espielha arriada

E a barriga a dar pressão

Tô varado de fome

Já num vejo solução

Se num como um prato cheio

Vou cair no mei do chão

Pense num cabra danado

Com a munheca sem pressão

Saiu ele, pé ligeiro

Pra tentar se alimentar

Mas sem um tostão furado

Como ia ele comprar?

O suor corria o rosto

Tava feio de olhar

Foi na venda de Seu Chico

Que vendia no fiado

Mas o homem só negava

Tu já tá muito endividado

Se num pagar o que deve

Vai dormir todo inchado

O matuto, esperto e liso

Num podia vacilar

Avistou uma galinha

E tentou ali pegar

Mas a bicha foi ligeira

Num quis colaborar

Foi então que lá na estrada

O milagre aconteceu

Viu um velho camarada

Que por sorte apareceu

Tava assando um carneiro

E o chamou, vem Zé, pega o seu

Num pensou duas vezes

Foi chegando devagar

Pegou logo um naco grande

Comeu sem nem mastigar

Rapaz, tô de banda

Já posso até trabaiá

Dessa história eu digo

Pra num ter desespero

A fome bate, é matreira

Mas sempre tem um parceiro

Num precisa se arriscar

Pra num cair no atoleiro.

Luiz Holanda
Enviado por Luiz Holanda em 25/03/2025
Reeditado em 25/03/2025
Código do texto: T8293669
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