Respeitável Público
Respeitável, minha gente,
Vou pedir a sua atenção,
Começou mais um teatro,
Mais promessas, ilusão.
O picadeiro é o mesmo,
Só mudaram o patrão.
O povão virou palhaço,
Com o sorriso forçado,
Trabalhando noite e dia
Pra viver endividado.
Enquanto o chefe da festa
Segue sempre abastado.
Político sobe ao palco,
Fala doce, convincente:
“Agora tudo melhora,
Vai ser justo, diferente!”
Mas o povo, coitado,
Segue pobre, descontente.
O salário é uma piada,
O serviço é um tormento,
E quem manda lá de cima
Sempre inventa argumento
Pra manter tudo igualzinho,
Só mudando o movimento.
Num discurso enganoso
Dizem sempre com fervor:
“O trabalhador é forte,
Tem coragem, tem valor!”
Mas na hora do alimento,
Dão o pão que Ele amassou.
Respeitável público,
Quando é que isso muda?
Quando o povo cansado
Vai virar essa disputa?
Ou seguimos de palhaço,
Na plateia, sem escuta?
Toda vez é a promessa:
“Agora vai ser diferente!”
Mas a farsa recomeça,
Enganando toda a gente.
No final, a palhaçada
Segue firme e permanente.
Um artista! dá seu show,
Faz pirueta e cambalhota,
Mas o dono da bilheteria
É quem lucra e faz a aposta.
E os palhaços dessa cena
Só recebem riso e bosta.
Angélica Lima.