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CORDEL – O que eu quero pro futuro do Brasil – Atualização – 18.09.2019 (PRL)

Esse cordel é uma continuação do que fora publicado em maio/2018, pois o Recanto das Letras não autorizou o prosseguimento no próprio corpo do cordel original, que já atingiu a marca de mais de duas mil e duzentas leituras. Manda quem pode, obedece quem tem juízo. Meu abraço.

Publicação finalmente autorizada
 
(757)
Quando tudo começou
Foi depois das eleições
O Bolsonaro chamou
O Guedes com seus botões
Pra mandar na economia
Já que ele nada entende
Sem pensar em covardia
Como se fosse duende
(758)
Pensei cá com muita pena
Essa coisa tá errada
Pois vamos ver muita cena
Ou talvez uma guinada
A dose tem sido forte
Mexendo com o país
Que sem preparo e sem sorte
Tá num murmúrio infeliz
(759)
O problema é que faliram
O país de norte a sul
E no mal se despediram
Dizendo tá tudo azul
Nas sendas de tal governo
Que o povo despencou
Tinha até roubo moderno
Que ainda não acabou
(760)
Resolver é impossível
Duma só vez, na lapada
Para o leigo não é crível
Que se enfrente essa parada
Tem de ir bem devagar
Pra não tanger aloprado
Que tenta bem desgastar
A Lava-Jato adoidado
(761)
Aliás é bom dizer
Que presos lá do começo
Já se pode perceber
Já pagaram o seu preço
Vão cumprir as suas penas
Em casa em belo conforto
Vão ganhar nas megasenas
Neste Brasil todo torto
(762)
No caso do Léo Pinheiro
O Fachin homologou
A delação do empreiteiro
Que muita gente entregou
Mas havia algum senão
Que acusava graúdos
Houve até contradição
Melhor que ficassem mudos
(763)
As denúncias formuladas
Contra gente do Congresso
Não andam, ficam cansadas
Que tem muito de regresso
Fica na contrapartida
Para aí que encerro aqui
Nada merece guarida
Digo pior nunca vi
(764)
Quando se chega ao impasse
Em senda de três poderes
Só se resolve com classe
Cada qual nos seus deveres
É que a imparcialidade
Na justiça e no moral
Tem de ser realidade
Porquanto assim é normal
(765)
A lei que fora mudada
No Senado da República
Voltou em grande rajada
Na moleza e sem súplica
Apelo não vinga nada
Mas vale a falta de ética
Estamos na trapalhada
De medidas sem estética
(766)
Pois o projeto aprovado
Pelos nobres deputados
Não volta para o Senado
Merece até ser vetado
O povo ficou confuso
Porquanto já percebeu
Que se queria o difuso
O povo foi que perdeu
(767)
Se Bolsonaro vetar
Então volta pro Congresso
Nada valeu renovar
Porque lá nada é sucesso
Isso é de arrepiar
Porque não há liderança
Tudo então vai fracassar
Só querem encher a pança
(768)
Mas voltando à economia
Caiu de novo a SELIC
Isso é sabedoria
Por isso aqui do meu jipe
Afirmo com segurança
Foderam a classe média
Que caiu logo na dança
Estou rindo da comédia
(769)
Então o médio coitado
Que aplica alguma sobra
Tem rendimento sugado
Mordido por uma cobra
Diferente do ricaço
Que muda de aplicação
Quando está torando aço
Pra tudo tem solução
(770)
Compra ouro, e dólar compra,
Ações e outros papéis
Nadando como uma lontra
Pinta com todos pincéis
Enquanto que o mais carente
Sem poder de conversar
Como sempre é temente
Vai na poupança aplicar
(771)
E o rendimento é pouco
O que fazer é dilema
Já gritei, tô quase rouco
Com esse dito problema
Mas os bancos vão crescendo
Dinheiro não tem carimbo
Cobram muito, espremendo
A pobreza está no limbo
(772)
O presidente falhou
Ao entregar o comando
Prum competente doutor
Que o país tá acabando
A reforma dolorosa
Que no Senado aprovou
Considero desastrosa
Para quem nele votou
(773)
Ora vejam meus senhores
Como pode um cidadão
Receber tantos horrores
Do ministro de plantão
Mexer nessa economia
Uma pedida fatal
Mas tem de ter ousadia
Isso é primordial
(774)
Quem ganha até dois salários
Está morrendo de fome
Salvo se for salafrários
Ou mesmo nada consome
Receber menos que isso
Não foi o que prometeu
Sustente seu compromisso
E não aja como ateu
(775)
Certo que na safadeza
Quem recebe sem razão
Vivendo só na lindeza
À custa da multidão
Corte tudo, mas sem pena
Antes de dar o perdão
Sua caneta serena
Leva tudo de roldão
(776)
E manda pôr logo em lei
Que quem ganha dois salários
Conforme já observei
Não vai servir como otários
E que daqui em diante
Não se mude mais a regra
Pois o país vai avante
Porquanto isso me alegra
(777)
Vale também que se diga
A invalidez horrorosa
Que esses caras duma figa
Bancando tudo de prosa
Querem mudar o esquema
Com solução bem cruel
Isso é caso de cinema
E não tiro o meu chapéu
(778)
E só mesmo o aposentado
Conhece dessa tristeza
Quando é sacramentado
Inda dizem que é moleza
Quando se é afastado
Por ter ficado imprestável
Sem chance para o mercado
Essa lei é condenável
(779)
Pra quem ganha acima disso
Que se faça um esquema
Falo pois não sou omisso
Pra resolver o dilema
Divida em quatro escalas
De dez, de cada dez anos
Peça ajuda aos mestres-salas
Pra não causar desenganos
(780)
E nos primeiros dez anos
Cada um com um por cento
Dos onze aos vinte, sem danos
Aumente pra dois eu assento,
E de vinte e um a trinta
Eleve a três com intento
Mas até quarenta, sinta
Tem de ser quatro por cento
(781)
E vamos fechar a conta
Dez por cento no primeiro,
Com mais vinte em afronta,
E mais trinta bem ligeiro
Aqui ninguém se amedronta
Pra completar cem por cento
Quarenta não desaponta
Quem quiser que tome tento
(782)
Dez, mais vinte, trinta e quarenta,
Fecha a rosca integralmente
Trabalhador se aposenta
Sendo bem inteligente
Com o tempo que quiser
Ele é quem manda e pronto
Não vamos ser Zé Mané
Nem deixar o povo tonto
(783)
Pra parar com um só ano,
De trabalho pra valer
Que se vá com seu abano
Um por cento a receber
Claro que é mensalmente
Mas se for como cigano
Com cinco é diferente
Cinco por cento meu mano
(784)
Mas pensemos trinta e quatro
Até trinta são sessenta
E mais quatro, dezesseis
Porém o plano sustenta
Ganhará setenta e seis
E se for com trinta e oito
Pula pra noventa e dois
Fiz a conta sou afoito
(785)
Mas se quiser com 13 anos,
O cálculo é bem fácil
Pra nós que somos humanos
Até mesmo o Santo Inácio
Dez com seis são dezesseis
Por cento do seu salário
Pago pra todo freguês
Isso é um relicário
(786)
Pago por nossa nação
Que guardará os recursos
Aplicando de antemão
Sem ladrão e sem concursos
Sem confiar em banqueiro
Tudo no Banco Central
Que será o nosso arqueiro
Contra essa gente do mal
(787)
Está aí minha reforma
Simples que nem bê-á-bá
O desconto que retorna
Pra quem vai aposentar
No problema da saúde
Aí são outros quinhentos
A vida sem plenitude
Merece nossos lamentos
(788)
Mas daqui quero lembrar
Que essa ideia é geral
Que ninguém pode escapar
Na cidade ou capital
Inclui mesmo militar
Que é gente igual na vida
Prontos para nos salvar
Na nossa pátria querida
(789)
E no caso da saúde
Essa despesa é de todos
Não venha, pois amiúde
Sem escape e sem engodos
Não precisando criar
Imposto novo em cascata
Basta saber aplicar
Sem querer ser acrobata
(790)
Tirar de onde já se cobra
E mal aplicados são
Pois tem dinheiro de sobra
Circulando na nação
Acabar com privilégios
De dispensa, de isenção
Com todos os sacrilégios
Que sugam nosso povão
(791)
Tendo falta de recursos
Tal débito em conta pública
Os deputados têm pulsos
Pra resolver e sem súplica
Bastando algum se agigante
Fazendo uma boa ação
Determinando bastante
Para a nossa salvação
(792)
Que da renda dos minérios
Em curso ou que comece
A produzir pelos sérios
Pro tesouro que merece
Porquanto a causa é vital
Pro país e brasileiros
Vamos cair “na real”
Deixar de ser fofoqueiros
(793)
E sendo dever do Estado
Direito do cidadão
Não deve o pobre coitado
Ter seu direito no vão
Dar lucro na atividade
É cruel, sem coração
Essa tal paternidade
Que nos mata sem perdão
(794)
Mas gente vamos explorar
Nossas minas com afinco
Tem todos a imaginar
Querendo tem até zinco
Não deixar que estrangeiros
Na onda de nos salvar
Que já são até vezeiros
Insistam em nos roubar
(795)
Vai até sobrar dinheiro
Pra tudo que se quiser
E o país por derradeiro
Quando melhor lhe aprouver
Será então respeitado
No mundo todo vos digo
Deixar de ser humilhado
Até parece castigo
(796)
Bolsonaro, capitão,
Desista dessa reforma
Não desarrume a nação
Mande arquivar essa norma
O Brasil quer prosperar
O pobre está precisando
Não de esmola, mas lutar
Pro país se agigantando
(797)
Veja bem seu presidente
Pobre sem eira nem beira
Os que dizem sorridentes
É porque são as chaleiras
Querendo apenas agradar
Com intenção dalgum cargo
O povo quer trabalhar
É sério e sem muito embargo
(798)
E depois se der errado
O doutor Guedes não paga
Tudo será apagado
Isso tudo que se indaga
Mas o país já falido
Vem alguém logo transforma
Fica o senhor esquecido
Sem cumprir a plataforma
(799)
Ah uma cosa importante
O tempo de transição
Porque no nosso semblante
Repleto de comoção
Por dez anos será justo
Pra tudo se conformar
Sendo político e astuto
Certamente pensará
(800)
Esse plano aqui proposto
Não invalida a dureza
Digo daqui com desgosto
Apurar a safadeza
Combatendo criminosos
E disso tenho certeza
Porque eles são poderosos
Vamos agir sem lerdeza
(801)
Se há dinheiro pra fundo
Partidário na eleição
Certo que é oriundo
Do bolso do cidadão
Porque então não haveria
Pra saúde então gastar
Mas rombo algum se teria
Sabendo economizar
(802)
O Brasil não é empresa
Que só pensa em dar lucro
Vamos fazer a proeza
Também sair do sepulcro
Porque temos condições
Somos país de riqueza
E também de tradições
Vamos fazer a proeza
(803)
De explorar tudo que nosso
Sem dar margem a esperto
Quando quero tudo posso
Deus está vendo, tô certo
O ministro é competente
Mas não foi do povo eleito
Não pode um mundão de gente
Pagar por plano malfeito
(804)
O dólar tá disparado
A bolsa cai novamente
Precisa ser alterado
O senhor é presidente
Tem gente lhe atrapalhando
Querendo o Brasil pra trás
Procure ir se cercando
Se livre do satanás
(805)
A queimada da Amazônia
Decerto fora estudada
Por gente sem parcimônia
E também estruturada
Pra derrubar o Brasil
No concerto das nações
São coisas de gente vil
De cortar os corações
(806)
Vou ficando por aqui
Tem mais coisa pra tratar
Pelo que noto e que vi
Querem é lhe derrubar
E se não tiver cuidado
Vão tentar o impedimento
Tanto a Câmara ou Senado
Sem cumprir o juramento
(807)
Sendo um poder perigoso
Nossa imprensa revoltada
Tem jornalista maldoso
Com essa grande guinada
De cortar gastos com mídia
Muito mal-acostumada
Parece caso de insídia
Por isso tão revoltada
(808)
Não vejo um jornal sequer
Nem rádio e nem TV
Ou seja lá quem quiser
Elogiar a você
Acha que tudo é errado
Ou então assim vai ser
Já estou acabrunhado
No que vai acontecer
(809)
Sou um velho decadente
Que já perto de morrer
Torci com toda essa gente
Pagando pra tudo ver
Mas a coisa é perigosa
Gente grande não deseja
Porque sendo bem gulosa
Ganha quando se fraqueja
(810)
Vou saindo de mansinho
Peço a sua permissão
Tenha pena do velhinho
Sabendo ser bom cristão
Mande rezar uma missa
Pra minha alma salvar
Pois jamais ficou omissa
Ninguém pode duvidar
(811)
A reforma do trabalho
Seria a salvação
Mas continua o frangalho
Com muita gente no chão
Agora na previdência
Estão apostando tudo
Pois é tanta persistência
Nesse caso cabeludo
(812)
Depois vem a tributária
Que merece ser revista
Pois é gravidez tubária
De repente entrou na lista
A política é só essa
Verdadeira arrumação
Por isso que tanta pressa
Aprovar de supetão
(813)
Mas a reforma completa
Está mesmo no preparo
Tirar quem se locupleta
Do poder que não é raro
Com ética e com moral
Conquistar o sim do povo
Num ambiente legal
Porém não voto de novo
(814)
Presidente por favor
Esqueça essa nossa mídia
Devassa e sem louvor
Mais um caso de perfídia
Quanto mais valorizar
Inimigo declarado
Muito pior o será
E nisso fique calado
(815)
Já andaram até dizendo
Que seu nome foi vetado
Tem muita gente querendo
Seu nome todo manchado
Na ida pra Nova Iorque
Representar o Brasil
De doença tenho choque
Pois é outro meu perfil

 
 
SilvaGusmão
 
Em revisão.

Foto: INTERNET/GOOGLE

23/09/2019 12:38 - Trovador das Alterosas, exímio cordelista, fez a seguinte interação...muito grato...ansilgus.

Penso acá com meus botões
Isto pode complicar
Gana destes garotões
Os velhos faz invejar,
Cada qual seu carma siga
No jeito de comportar.
Para não fazer intriga
Com as damas do lugar.

 Boa tarde caro mestre passando para deixar minha pegada na sua página me deliciar com seu cordel e desejar uma feliz semana com Deus sempre.

27/09/2019 09:58 - Jacó Filho fez bela interação...grato amigo:
 
O supremo me assusta,
O congresso desanima.
Será que ninguém atina,
Pra fazer a coisa justa?
O capitão nunca pensa,
Ante de fazer discurso.
Deixa o Brasil confuso,
Com ajuda da imprensa...
 
 Excelente trabalho compadre Ansilgus... Adorei... Parabéns! E que Deus nos abençoe e nos ilumine... Sempre...

 
ansilgus
Enviado por ansilgus em 23/09/2019
Reeditado em 03/10/2019
Código do texto: T6751855
Classificação de conteúdo: seguro

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