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Paisagem de Interior (Na minha ótica)

Parafraseando o grande poeta Jessier Quirino, autor de Paisagem de Interior, um lindo poema diga-se de passagem, peço humildemente licença para expressar minha Paisagem de Interior, e eu disse:

Fim de tarde na calçada,
se balançando em uma cadeira,
debaixo de uma gameleira,
olhando quem vem e quem passa,
bença madrinha; bença Graça,
bença meu tio; bença vô,
o sol se pôs, mas fica o calor,
daqui a pouco, tome mosquito,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Café no bule cheirando,
uma sopa de verdura,
de sobremesa rapadura,
pro paladar ir adoçando,
menino na rua brincando,
descalço nem sente dor,
brinca do jeito que for,
virado num periquito,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Na praça a TV assistindo,
botando o papo em dia,
nasceu mais uma Maria!
netinha de seu Severino,
o velho fica sorrindo,
com o surgir de mais uma flor,
pois mais uma vez se torna avô,
a terceira de seu quinto filho,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

E quando chove, é só alegria,
nesse torrão fim de mundo,
e o roçado fica fecundo,
é feijão verde, é melancia,
batata doce, ave Maria,
é muita fartura no interior,
matando a fome do trabalhador,
do sertanejo já muito sofrido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Ano de eleição, não tem igual,
eu acho é muito engraçado,
cada qual, tem o seu lado,
é desse jeito, mas é normal,
se não for arara, é bacurau,
verde ou vermelho, cada eleitor,
não pode ser de outra cor,
sem contar aquele vendido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Antes de toda eleição,
é carreata, de carro e de moto,
e assim são contado os voto,
quem for a maior já é campeão,
não tem data folha não,
nem pesquisa de eleitor,
é pra prefeito e vereador,
e assim é que é definido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Lá no salão de maroca,
o jornal de toda cidade,
se é mentira ou se é verdade,
eu só sei que é muita fofoca,
fala de todos e nem se importa,
se irá causar alguma dor,
pode ser seja quem for,
caiu na sua boca tu tá é perdido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Dia de feira é um alvoroço,
a cidade numa ferveção,
vem gente de toda região,
e quando perto do almoço,
o sol a meio posto,
castigando o vendedor,
e o vaqueiro aboiador,
com seu bucho enchido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Na bodega do mercado,
desce mais uma bem quente,
do seu melhor aguardente,
aquela do meu agrado,
serve aqui o seu Ricardo,
capanga de seu Antenor,
Pistoleiro e Matador,
um cabra destemido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

É um tanto de tanta prosa,
é conto demais pra contar,
que se eu for continuar,
não termino mais esta glosa,
acaba sendo meio morosa,
e fica meio sem cor,
sem graça e sensabor,
acaba perdendo o sentido,
isso é cagado e cuspido,
paisagem de interior.

Agostinho Jales
Enviado por Agostinho Jales em 13/08/2019
Código do texto: T6719167
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Agostinho Jales
Guara I - Distrito Federal - Brasil, 41 anos
38 textos (765 leituras)
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Agostinho Jales