COISA DO OUTRO MUNDO

COISA DO OUTRO MUNDO

Miguezim de Princesa

I

Na hora que João de Deus

Ia ser interrogado,

Deu um pipoco na luz,

Ficou escuro e nublado,

O computador pifou,

Espatifou-se o teclado.

II

O escrivão deu um pulo,

A delegada gritou,

Uma testemunha correu,

Um soldado se urinou,

Um gato deu um miado,

Um cachorro se enganchou.

III

Mesmo com o braço quebrado,

O escrivão escapou,

Um aleijado esperava

Pra buscar um isopor,

Jogou a bengala longe,

Correu que ninguém pegou.

IV

Um ladrão confessou tudo,

Nem precisou apanhar,

Uma prostituta velha,

Que tinha brigado no bar,

Agarrou-se com uma cruz

E começou a rezar.

V

João de Deus se levantou,

Com os olhos arregalados,

Na frente da delegada,

Apesar de algemado,

Deu uns três saltos mortais,

Foi parar do outro lado.

VI

Então disse a delegada:

“Já é grande o prejuízo,

Isso é coisa do outro mundo,

Quem quiser que bote o guizo,

Eu vou encerrar o feito,

Mande avisar ao prefeito,

Ao promotor escorreito,

Eu digo e bato no peito,

Que o réu tem o direito

De só falar em juízo!”.

Miguezim de Princesa
Enviado por Miguezim de Princesa em 18/12/2018
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