Alice no sertão das maravilhas
Na rede ela se deita
É tamanha a preguiça
Um calango de colete
A curiosidade lhe atiça
Corre rápido pra um buraco
O calango aperreado
Diz que está atrasado
Pro compromisso inadiado
Alice curiosa
vê um buraco de tatu
Ela pergunta pro calango
Aonde vai? eu vô cum tú
Após diminuir
ela embarca em outro mundo
Vê montanha de rapadura
E um lago de leite profundo
Os cactos se misturavam
Com pés de caju
Alice se viu pequena
Do tamanho de um tatu
Após horas de deslumbre
A pobre Alice se tocou
Percebeu que estava perdida
Na viagem que embarcou
Pedia ajuda pra um bode
De sorriso alargado
Ele falou-lhe sobre um homem
De chapéu engraçado
Alice corria o mundo
Diferente do normal
Encontrou o tal homem
Um cangaceiro anormal
Ele tomava chá
Sempre a mesma hora
Perguntava pra Alice
Como se forma a aurora
Alice mal entendia
Ficou brava e saiu
O cangaceiro ficou sentado
E o bode até sorriu
A seca que briga com tudo
Implica até com a água
Que é julgada por ser molhada
E por isso foi condenada
Alice vê o acontecido
E a rainha lhe percebe
Chama Alice pra jogar gude
Dizendo não pegar leve
Alice desesperada
Não sabe o que fazer
Aparece o bode sorridente
Pra ajudar no que carecer
A seca toda brava
Ordena a sua matança
Cotem-lhe a cabeça
Diz ela com confiança
O capataz não faz nada
Por não ter o que fazer
O bode sorridente
Só a cabeça pode-se ver
Depois de um tempo passado
A seca se irrita
Manda decapitar Alice
Que crescendo enfrenta a maldita
Alice já crescida
Confronta a seca sem medo
A seca não se intimida
E vai pra cima apontando o dedo
Alice que agora acorda
Estava de novo na rede
Corre pra dentro de casa
Contando tudo e matando a sede.