Alice no sertão das maravilhas

Na rede ela se deita

É tamanha a preguiça

Um calango de colete

A curiosidade lhe atiça

Corre rápido pra um buraco

O calango aperreado

Diz que está atrasado

Pro compromisso inadiado

Alice curiosa

vê um buraco de tatu

Ela pergunta pro calango

Aonde vai? eu vô cum tú

Após diminuir

ela embarca em outro mundo

Vê montanha de rapadura

E um lago de leite profundo

Os cactos se misturavam

Com pés de caju

Alice se viu pequena

Do tamanho de um tatu

Após horas de deslumbre

A pobre Alice se tocou

Percebeu que estava perdida

Na viagem que embarcou

Pedia ajuda pra um bode

De sorriso alargado

Ele falou-lhe sobre um homem

De chapéu engraçado

Alice corria o mundo

Diferente do normal

Encontrou o tal homem

Um cangaceiro anormal

Ele tomava chá

Sempre a mesma hora

Perguntava pra Alice

Como se forma a aurora

Alice mal entendia

Ficou brava e saiu

O cangaceiro ficou sentado

E o bode até sorriu

A seca que briga com tudo

Implica até com a água

Que é julgada por ser molhada

E por isso foi condenada

Alice vê o acontecido

E a rainha lhe percebe

Chama Alice pra jogar gude

Dizendo não pegar leve

Alice desesperada

Não sabe o que fazer

Aparece o bode sorridente

Pra ajudar no que carecer

A seca toda brava

Ordena a sua matança

Cotem-lhe a cabeça

Diz ela com confiança

O capataz não faz nada

Por não ter o que fazer

O bode sorridente

Só a cabeça pode-se ver

Depois de um tempo passado

A seca se irrita

Manda decapitar Alice

Que crescendo enfrenta a maldita

Alice já crescida

Confronta a seca sem medo

A seca não se intimida

E vai pra cima apontando o dedo

Alice que agora acorda

Estava de novo na rede

Corre pra dentro de casa

Contando tudo e matando a sede.

Revson Costa
Enviado por Revson Costa em 31/07/2012
Código do texto: T3805747
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