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MERDA NA CABEÇA

Numa fila de um banco,
O meu vicio começou,
No meu bolso, só papel,
E um simples lápis de cor.
Paciência, já me faltava,
A grande fila não andava,
Fazia muito calor.

Ali,desde de bem cedo,
Eu precisava do Dinheiro,
Do fundo de garantia,
Mas aquele desespero...
Eu sentia dor de barriga,
Cansaço, suor e fadiga,
E bem longe de um banheiro!

Acho que foi um milagre,
Um choque me estremeceu,
Senti na minha careca,
Algo quente que desceu.
Foi um pombo que voava,
Sua merda que largava,
E o escolhido fui eu...

Olha só a natureza...
Aí tudo mudou!
Limpei a minha careca,
Minha agonia passou.
Todos acharam graça,
Uma comédia na praça,
Minha disposição voltou.

Comecei a escrever,
De repente, um poema!
percebi o meu talento,
Com métrica, gênero e tema.
Rápido, a fila andou,
Vários versos de amor,
E eu já não via problemas.

Então chegou a minha vez,
Parei na frente do caixa,
A moça então me chamou,
E eu com a cabeça baixa.
Já era a décima poesia,
Fruto de um longo dia,
Onde a vida se encaixa.

Agora sou um poeta,
Sou feliz em afirmar,
Eu cumpri a minha meta,
Estou aqui pra amar.
Fazer muitos amigos,
Escrever muitos artigos,
E um pombo, eu vou criar...


Carlos Mambucaba
Enviado por Carlos Mambucaba em 11/10/2009
Reeditado em 24/12/2009
Código do texto: T1860291
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Carlos Mambucaba
Angra dos Reis - Rio de Janeiro - Brasil, 58 anos
516 textos (43264 leituras)
85 áudios (7710 audições)
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Carlos Mambucaba