LÁGRIMAS NEM SEMPRE SÃO DE COMOÇÃO (Republicação)

O tempo frio deixou Angelita inquieta nessa manhã, sentira calor no dia anterior e agora essa mudança de temperatura, pelo menos para ela, pois ninguém mais de sua casa tinha alguma reclamação a fazer a respeito. Pegou um casaco e foi para o jardim descansar um pouco depois do café da manhã, sentia-se exausta com a atenção que dispensava a sua velha mãe, d. Iolanda, ora internada em um hospital da cidade, hoje era o dia de sua irmã Áurea ficar com ela junto ao leito, afinal seu estado de saúde não era dos melhores, sofria devido a uma infecção pulmonar que lhe afetava há alguns meses.

Dias depois morre a matriarca da família, viúva e dona de uma ótima pensão, as duas únicas filhas agora não sabiam como continuar vivendo sem as mordomias que lhes eram dispensadas. A casa era enorme, mantinham empregadas e essa situação teria que mudar, pois o dinheiro de suas economias não seria suficiente para pagar salários agora desnecessários, ambas agora teriam que fazer esse trabalho com a dispensa das empregadas.

Áurea chorava copiosamente no túmulo da mãe após a colocação do ataúde, Angelita apenas observava aquela cena diante dos familiares e amigos, vertia algumas lágrimas, mas sabia que a irmã nunca se propôs a dar atenção e respeito a mãe, mesmo depois da doença e da internação no hospital, ia por força do pedido insistente dela, que verdadeiramente demonstrava amor e carinho por aquela que lhe colocara no mundo.

Após o falecimento de d. Iolanda o comportamento de Áurea mudou completamente passando a tratar mal a irmã e a exigir a sua parte com a venda da única casa que possuíam. Tudo que pertencia a mãe, objetos de valor e jóias, ela se apoderou e até vendeu para conseguir dinheiro, mesmo contra a vontade de Angelita. Aquelas lágrimas no cemitério foram apenas uma encenação, depois disso o sorriso no rosto era mais evidente, enquanto a irmã sofria com a perda da mãe.

O tempo passou, a casa foi vendida e as duas se separaram, cada uma com sua pequena casa fruto do dinheiro da venda da antiga residência.

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(Este conto foi publicado em 18/09/2019 e agora reeditado)

Moacir Rodrigues
Enviado por Moacir Rodrigues em 17/10/2022
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