Maria Antônia e o Padre Cícero Romão Batista

 

 

Era o mês de março de 1.855, e minha bisavó conhecida como Maria Antônia  estava pegando água com suas vizinhas no poço. Ali, era o bairro Trizidela e a residência dos pais de minha bisavó, ficava nas encostas do alto do morro Sanharó, local anteriormente conhecido por abrigar várias tribos indígenas entre a beira do Rio Itapecuru.
 
Caxias é um município no Estado do Maranhão, no Meio-Norte, no Brasil. É a quinta mais populosa cidade do estado, com uma população de 166 159 habitantes, conforme dados do IBGE de 2021. Sua área é de 5 201,927 quilômetros quadrados (2021/IBGE), o que a torna a décima primeira maior município do Maranhão. É cortada pelo rio Itapecuru e seus afluentes.

 

É um dos máximos centros econômicos do estado graças a seu grande desempenho industrial, e um importante centro político, cultural e populacional do estado do Maranhão.

 

Maria Antônia, ao passar por um quiosque de barbearia, carregando água. Foi observada por um homem que se encontrava cortando o cabelo. Indagando para o barbeiro, este respondeu que se tratava da filha de Zé Mourão, apontando com o dedo, indicou a casa no morro.

 

Após o término do serviço, o homem rumou ao endereço da residência dos pais da moça. Ao chegar a casa. Ele bateu palmas e perguntou.

 

-É aqui a casa do Zé Mourão?

 

-É sim. O que o senhor deseja?

 

-Posso entrar para nós conversar?

 

 -Mais é lógico. Entre e sente neste tamborete de couro. Me conte o que achou de interessante neste fim de mundo?

 

-Eu gostei de sua filha e quero me casar com ela.

 

Zé Mourão complementa;

 

-Certo. Pois, a minha filha Maria Antônia é sua mulher. E qual é a sua graça?

 

-Eu me chamo Ferreira da cidade de Uruburetama do Estado do Ceará. Compro e vendo ouro. Eu viajo muito, e descanso em casa uns dez dias.

 

Diante de tais aberrações presentes, Maria Antônia  nunca viu o homem, de cabelos ruivos, cútis branca e olhos azuis, assim, como nunca teve qualquer contato.

 

Naquele mesmo dia, Ferreira alugou uma casa próxima a residência dos pais de Maria Antônia e passou a morar com a mesma. Após 01 (um) ano de convivência, Ferreira tratou de fazer uma viagem para o Estado da Paraíba com retorno em 40 (quarenta) dias.

 

Era o mês de setembro, e muitas mulheres daquele bairro falavam na Romaria para a cidade de Juazeiro do Norte no Estado do Ceará. Maria Antônia também se manifestou com as outras mulheres e fizeram um grupo de romeiras de 30 (trinta) mulheres.

 

Naquele dia, as mulheres do bairro Trizidela, arrumaram suas trouxas com roupas, bolos e perfumes, e atravessaram o rio de canoa. Vários animais atravessaram na canoa o rio Itapecuru sem causar nenhum transtorno com as bagagens.

 

Minha bisavó, era detentora de dois animais (jumentos), os quais ela apetecia levar em viajem, um com roupas e o outro com mantimentos. No dia marcado, elas fizeram a travessia do rio Itapecuru e rumaram com destino a Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará.

 

Com estradas vicinais, chegaram ao Estado do Piauí, próximo a uma caatinga, cochilaram debaixo de várias árvores em grupos de 10 (dez) mulheres. Maria Antônia rezava incansavelmente o terço com as passagens de Jesus Cristo com dor na rua estreita de Jerusalém. Outras mulheres cantavam músicas de romarias para São Francisco das Chagas.
 
Ao chegar ao Estado do Ceará, a alegria era conjunta, muitas romeiras rezavam e outras cantavam. A minha bisavó, Maria Antônia  avistando a cidade de Juazeiro do Norte, município do estado do Ceará. Localizando-se na Região Metropolitana do Cariri, no sul do Estado, distante 491 km da capital, Fortaleza. Maria Antônia  gritou para as romeiras.

 

-Ei pessoal! Vocês vão para onde?  Aqui é a terra do nosso padre Cícero Romão Batista,  Padim Ciço, adiante é a Igreja de São Francisco das Chagas, nosso protetor, onde louvaremos.

 

Disse a outra romeira:

 

-Comadre Digé, vamos! Desça a carga dos jumentos. Vamos escolher um lugar para ficarmos bem arejado e ventilado. Assim, podemos dormir um pouco.

 

No dia seguinte, ao abrir a Igreja de São Francisco das Chagas, todas as romeiras rumaram para a missa celebrada pelo Padre Cícero. Não demorou muito, padre Cícero entrou na Igreja. E ao olhar as romeiras vinda da cidade de Caxias, do Estado do Maranhão, Padre Cícero disse aconselhando o seguinte:

 

-A oração é o melhor caminho, é a estrada mais sagrada de Deus. Venha cá senhora de blusa rosa.

 

Ao se aproximar do Padre Cícero, Maria Antônia, disse:

 

-Meu nome é Maria Antônia Ferreira. Benção meu Padre Cícero e me proteja junto com São Francisco das Chagas. Por que Deus é a nossa salvação.

 

-Deus te abençoe e Deus te louva em todas as tuas andanças. São Francisco manterá acessa as chamas da salvação. Minha filha, quanto mais rezares, ainda é pouco para o senhor. Por isso, eu te louvo e consagro nas águas de São Francisco. Amém!

 

As outras mulheres, ouvindo o padre falar com Maria Antônia, disse:

 

-Como é que pode? Maria Antônia veio de Caxias do Maranhão até a cidade de Juazeiro rezando sem parar. E o Padre Cícero ainda diz que é pouco.

 

As demais romeiras, acolhendo as lições e conselhos do Padre Cícero, nada falaram. E desta forma, após o encerramento do festejo de São Francisco das Chagas, ela foram para a Princesa do Sertão Maranhense.

 

Ao chegar em Caxias, Estado do Maranhão, Maria Antônia ao adentrar em seu domicílio recebeu um recado do esposo Ferreira, apesar dos avisos das vizinhas.

 

-Gonçala, não entre em sua casa. Seu marido disse que vai matar você, ainda hoje.

 

Antônia Gonçala respondeu:

 

-Eu entro. A casa é minha única morada. É o lugar onde eu vivo.


O tempo passa, e já era aproximadamente, doze horas quando o valentão Ferreira chegou em sua residência. Foi à cozinha e preparou uma janta e observou a sua esposa Maria Antônia  dormindo na rede. Ferreira, havia colocado uma dúzia de ovos para fritar e comer. Após o jantar, Ferreira chamou pelo nome da esposa.

 

-Maria Antônia, acorda vagabunda! Acorda para morrer. Acorda, porque eu só gosto de atirar em vivente. Acorda inútil!

Antônia Gonçala despertou e disse, suplicando:

 

-Pelo amor de Deus, tenha compaixão de Jesus Cristo. Tenha clemencia nesta hora! Não me mate! Padre Cícero é o seu revólver e São Francisco é o meu protetor!.

 

Com muita raiva, o primeiro tiro disparado não acertou. Agindo com covardia, deu o segundo, terceiro, quarto e quinto. E nenhum tiro acertou Maria Antônia  à queima roupa.

 

Sem saber o que fazer, ele disse exaltado;

 

-Tu desviou todos os tiros do meu revólver, mas não escapará do meu punhal sangrento. Vou cortar a tua garganta com ela enfiada no meio da goela.

 

Ao se aproximar com o punhal em suas mãos. Ela disse:

 

-Me louva Padre Cícero! São Francisco! Dai-me sua cobertura! Amém!

 

E o punhal quase cravando a garganta de Maria Antônia se transformou em uma rosa. E Ferreira disse nervoso:

 

-Vou deixar de te matar desgraça, Porque tuas orações são fortes. Eu vou embora para nunca mais pisar aqui. Vou desenterrar as latas de dinheiro e ouro. E vou embora para bem longe.

 

Ferreira foi ao quintal, arrecadou todo ouro e dinheiro enterrado, e arrumou as roupas e comidas na cela do cavalo e partiu, sem nada a dizer. Sabe-se que Ferreira era um vendedor de ouro de Uruburetama no Estado do Ceará.

 

Disse a minha bisavó Maria Antônia para a minha vó Gonçala com mais de 100 (cem) anos. Que certa vez, o cavalo do senhor Ferreira não quis atravessar um pedaço de estrada vicinal, por causa de uma sombra no chão.

Naquele dia, estava ventando muito, e as folhas das bananeiras faziam sombras na estrada de terra. Com o vento à noite assoprando, as folhas de bananeiras, retorciam e criando imagens misteriosas no solo. Fizera com que o cavalo de Ferreira se recusasse a passar naquele local. O cavalo rinchando com medo das imagens no chão fez Ferreira sacar do punhal e matou o animal. Indo para casa os dois à pé pela estrada com um peso enorme das mochilas.

 

 

 

 

ERASMO SHALLKYTTON
Enviado por ERASMO SHALLKYTTON em 14/10/2022
Reeditado em 16/10/2022
Código do texto: T7627055
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