A LUA E EU

Era ela que nos conduzia pela estrada quando a noite saímos pelos matos para a escola que ficava atrás do morro verde.

Só podíamos estudar naquela escolinha que era a mais próxima do sítio. Íamos os quatro: eu, Januária, Iracema e Genildo, cantando, sorrindo e brincando. As aulas começavam as 19 horas e terminavam as 22. Na volta retornávamos felizes, cansados e apreensivos.

Já tínhamos nosso caminho marcado na estrada e isso nos dava segurança. Nas noites de lua cheia nem precisávamos da lanterna, ela clareava o mato e nos enchia de fantasia.

Diziam que havia um jovem que transformava em lobo e virava lobisomem no segundo dia da lua cheia onde ela aparece maior. Sempre ficávamos doidos para encontrar o tal no meio mato.

Já estávamos no último ano da escola, na penúltima semana do final do segundo semestre. Seguíamos nosso caminho de sempre e a lua vermelha enorme se mostrava incandescente na nossa frente, quando de repente escutamos um uivo horripilante que nos paralisou e ficamos tremendo de mãos dadas, com os olhos arregalados ao ver o lobo com cara de gente todo peludo com as garras e dentes enormes, olhando fixamente para mim. Aquela cena durou uns dois minutos, mas pareceram horas intermináveis. De repente ele se virou e sumiu no mato.

Nunca me esqueci do amor e da tristeza que vi no olhar daquele ser que tinha que carregar esse estigma.

Na vila havia um rapaz lindo que vivia isolado e todos tinham medo dele, poderia ser ele. Acho que me apaixonei. Em todas a luas cheias saio cheia de amor, desejo e esperança em busca daquele olhar...

Ana Amelia Guimarães
Enviado por Ana Amelia Guimarães em 11/02/2020
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