Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

Ofereço-te uma Flor

           Eles se encontraram por acaso nas ruas da cidade. Ele ofereceu-lhe uma carona, que ela prontamente recusou.
          Até aquele mês de maio de 1999.
             
O desabrochar de Flor
         
          Naquela tarde Flor trabalhou intensamente. Era balconista em uma loja de roupas. Como o dia das mães se aproximava o comércio estava bastante agitado e Flor mal teve tempo para se alimentar. Ainda naquela mesma noite ela pretendia passar no salão de beleza para aparar um pouco nos cabelos que já estavam compridos além da conta. Flor gostava de exibir a sua cabeleira cacheada na altura dos ombros. Além de charmoso, realçava o brinco dourado de bolinha que ela usava diariamente.     Já estava chegando à porta do salão quando ela o percebeu vindo em sua direção. Para Flor foi só um encontro casual, mas para ele foi uma possível conquista. Estava meio a perigo e viu na menina uma resposta aos seus desejos. Observou quando Flor entrou no salão de beleza e resolveu estacionar por perto para esperá-la. Precisava muito conquistar aquela garota. Na realidade ele já a vira outras vezes. Queria tê-la, mas não imaginava que ela lhe daria tanto trabalho. Já contava com vinte e quatro anos e uma conquista adolescente viria a calhar. No momento ele estava precisando de uma injeção de ânimo e para isso nada melhor que uma jovem conquista. Não hesitou em se aproximar quando a viu deixar o salão com os cabelos cacheados recém-aparados. Estava tão linda! Usava um vestido verde de flores miúdas e um delicado brinco de bolinha dourada. Os cabelos emolduravam a cabeça e lhe dava um ar angelical. Ele tinha de possuí-la!
          Parou o carro ao lado de Flor e ofereceu-lhe uma carona que ela gentilmente recusou, conhecia-o de vista e já sabia de sua má reputação. Não cederia assim tão facilmente e também ele não era o seu tipo. Gostava mesmo era de homens morenos. Se é que gostava de homens! Era tão nova, tinha somente quatorze anos e nunca havia rolado o tão esperado primeiro beijo e para dizer a verdade ela não tinha a menor vontade de beijar. Curiosidade talvez.
          Certa vez, flagrou sua vizinha, uma novinha, mais jovem do que Flor até, dando molhados e assanhados beijos em um peguete de fim de semana. Mas ao invés de lhe despertar desejos, deu-lhe nojo. Flor ainda pôde ver a baba que escorria da boca do menino quando ele retirou a nojenta língua da garganta da novinha. Eca! Graciosamente Flor esquivou-se da carona oferecida. Morava perto dali e precisava terminar um trabalho de inglês para a aula de amanhã. Ele insistiu, mas sentiu que não seria tão fácil ganhar a garota. A menina dar-lhe-ia trabalho! Mas era isso que faria aquela conquista valer à pena. Não dizem que tudo que é mais difícil e mais gostoso? Ele ainda desfolharia aquela flor selvagem.

Domada Flor
          A partir deste dia ele começou a fazer-se notar.  Ao retornar do trabalho sempre dava um jeito de passar em frente à loja onde a garota trabalhava. Ao vê-lo passar, Flor cumprimentava-lhe sorridente. Ele acenava para ela como quem não quer nada e que só estava passando ali por acaso. O rapaz já estava lhe parecendo bem simpático. Mas a grande tacada do moço foi quando ele começou a frequentar a loja, a propósito de comprar presentes para a sua mãe doente. Mãe esta que nunca existiu, pois muito cedo ele foi abandonado pela mãe usuária de drogas, sendo criado pelo avô paterno, já que os avós maternos não o quiseram.
          Flor que tinha a mãe como principal referência começou a admirar o rapaz, mal sabendo que aquilo era só uma estratégia para conquistá-la. No próximo mês ela completaria 15 anos e os beijos molhados da vizinha ninfeta já não lhe pareciam tão nojentos.
          Uma semana após o aniversário de Flor, ela decidiu dar uma chance ao amor. Naquela tarde do mês de maio, ela aceitou a carona oferecida por ele. Mas não foi só uma carona. Foi o amor que desabrochou naquele dia. O primeiro beijo foi embriagador e uma fraqueza inesperada fez com que Flor se entregasse a ele neste primeiro encontro.   Flor nunca se arrependeu desse momento. Ela o amaria para sempre. Seu primeiro e único amor.
          A mãe nunca viu esse namoro com bons olhos. Não gostava do rapaz e pelas atitudes demonstradas achava-o interesseiro. Desde a primeira vez quando viu Flor chegar sorridente de mãos dadas com ele, teve um pressentimento ruim. Uma dor invadia-lhe o peito e um vento frio a envolvia toda vez que o rapaz se aproximava. Era o sexto sentido de mãe que falava mais alto.
          Meses se passaram, Flor terminou de concluir o primeiro grau e a partir de janeiro começaria a trabalhar o dia todo. Trabalhando mais, Flor ganharia melhor e o dinheiro muito ajudaria para que ela e a mãe pudessem viver com menos aperto. O namoro prosseguiu.

Letícia Mendes

          Em janeiro do ano 2000, Tony conheceu Letícia numa roda de amigos. Ela não era bonita quanto Flor, mas era podre de rica. Seu pai era um fazendeiro milionário, proprietário de metade daquela cidade e ainda era dono da casa de peças onde Tony trabalhava. Foi quando Tony enxergou uma oportunidade de se dar bem na vida. Mesmo sendo apaixonado por Flor resolveu dar encima de Letícia. Tony tinha vontade de ser alguém e achava que com o salário de fome que ganhava jamais chegaria a lugar algum. O rapaz viu em Letícia uma oportunidade de ganhar dinheiro sem ter que se esforçar muito. Com Flor ele nada teria. Talvez uma feliz vida de casal com um filho gordinho e um orçamento apertado. Mas por que querer tão pouco?
          Ele resolveu conquistar Letícia. Tony era um homem bonito, tinha cabelos loiros encaracolados, olhos cinza sombrios e um sorriso envolvente. Não foi difícil conquistar a ricaça. Com Flor ele teve de se esforçar para tê-la, mas com Letícia foi diferente, a moça era muito arrogante e tinha poucos pretendentes. Mesmo com tantas posses os homens fugiam dela e bastou Tony jogar a rede que a sereia, ou melhor, o tubarão ser fisgado.
         A princípio Tony tentou conciliar o namoro com as duas moças. Letícia não sabia da existência de Flor. Mas Flor bem mais sensível, percebeu que algo ruim estava acontecendo. Ela não perguntou muito, pois tinha medo de saber a verdade.
          Apesar de a cidade ser pequena o namoro de Tony e Flor foi sempre mantido em segredo a pedido do rapaz. Segundo ele, era avesso a comentário e também por Flor ser muito jovem, as pessoas certamente iriam falar. Então foi melhor não comentar sobre o namoro, somente a mãe de Flor sabia do envolvimento entre os dois.
           Em maio de 2000 o pai de Letícia é diagnosticado com avançado câncer no pâncreas. A morte batia na porta de casa de Letícia. Tony, com os olhos brilhando de cobiça, já imaginava Letícia herdando todos os bens do velho. Afinal era filha única. Não demoraria muito e ele também estaria nadando de braçada naquela dinheirama toda.
            O pai da moça, antes de morrer, pede que a filha se case sem demora com Tony. Queria poder ver sua única filha se casando com um homem honesto e respeitável. Assim sua partida seria menos dolorosa.
          Teria de ser esta noite.
          Mesmo com o coração cheio de pesar, Tony decidiu romper com Flor. Se ela entendesse direito a situação, os dois poderiam continuar se vendo. Ele a queria como amante, bastava ela concordar com a situação. Na hora do almoço ele telefonou para Flor. Aproveitou o momento em que a proprietária da loja saía para almoçar e deixava Flor sozinha. Não podia dar margens a falatórios, Letícia jamais poderia saber sobre Flor. Ainda mais agora que estava de casamento marcado com a insossa herdeira.
          Flor atendeu ao telefone, ela parecia feliz e ele sentiu que algo diferente ocorria com a garota. A menina disse que também precisava falar com ele, pois tinha uma novidade para lhe contar esta noite. Mesmo não sabendo o que era, Tony estremeceu. Uma sombra passou diante de seus olhos. O que Flor teria que contar e porque se mostrava tão feliz?

Estraçalhada Flor

         Naquela noite Flor caprichosamente se perfumou, vestiu o vestido verde de florzinhas miúdas, o mesmo que usava quando viu Tony pela primeira vez. Quando passou pela mãe, Flor a beijou com carinho no rosto e chegando à porta, ela se virou pra mãe, sorriu e lhe soprou um último beijo. A mãe pressentiu que aquela seria a última vez que Flor lhe sorriria. Sua menina de cachinhos nunca mais voltou pra casa.
         Tony a pegou na esquina de casa. Já passava das oito horas da noite e ninguém a viu entrar em sua caminhonete. Daquele momento em diante Flor desapareceu.
         A propósito de ficarem a sós, Tony saiu da cidade e foi parar numa estrada rural bem ao lado da BR 381. Um rio de águas frias dava um ar fúnebre àquele lugar e o mato alto impedia que os motoristas que passassem pelo asfalto pudessem ver uma caminhonete parada. E somente a lua solitária no céu foi testemunha deste crime silencioso.
         Cheios de desejos eles se amaram como se fosse à última vez. Chegou a hora de Tony revelar a verdade, mas antes Flor lhe disse sorrindo algo que mudaria para sempre o seu destino.
        _Estou grávida meu amor! Grávida de um filho seu!
          A notícia caiu como uma bomba. Tony já podia ver seu filho crescendo na barriga de Flor. De súbito sentiu vontade de beijar a barriga da menina. Ele achava que seria feliz com Flor. Mas o demônio que a tudo assistia sussurrou em seu ouvido e a fortuna de Letícia intercedeu entre os dois. Eram bilhões depositados em bancos, tanto no Brasil quanto no exterior, propriedades a se perderem de vista. Ele não podia dar adeus a tudo isso. De que valia uma vida simples e pobre com Flor se ele podia ter tudo isso, não podia desperdiçar todo esse tesouro. Com o tempo ele se esqueceria de Flor. Não havia amor que resistisse a viagens pela Europa, carros importados, roupas de grife, mansões com lindos jardins e lareira aquecida no inverno.
           _Não quero ser pai do seu filho! Não posso! Vou me casar com Letícia Mendes. Desista deste bebê!  Não quero mais nada com você!
          Foi despejando tudo de uma só vez. Flor ouvia atordoada. Nunca estivera tão feliz em sua vida e só esperava dar a notícia a Tony para poder contar a mãe, que mesmo decepcionada ficaria feliz com o primeiro neto.
           A mãe nunca escondeu que não gostava do namorado e depois desta enxurrada de informações ela percebeu realmente que o rapaz não prestava. Flor era muito jovem e estava grávida de um homem que não a queria mais. Em menos de cinco minutos o castelo de Flor desmoronou. Mas o homem que fazia parte deste castelo também morria junto. O seu filho era o que lhe dava forças naquele momento e o que realmente importava. Com, ou sem Tony, Flor seria mãe. Seu instinto materno falava mais alto.
          Porém o rapaz não deixaria Flor sair dali enquanto ela lhe prometesse fazer um aborto. A garota seguia firme em sua decisão. Teria o seu filho independente da atitude de seu namorado.
          Tony sorriu e a tomou em seus braços. Beijou seus lábios frios e selou o fim daquela paixão. Flor deixou-se beijar. Assim como sua mãe os amores da carne nunca foram prioridade em sua vida. Apesar de amar Tony de todo coração ela teria o seu bebê. Sabia que podia contar com a mãe para ajudar na criação do filho.
           Mas antes, só mais um beijo. O último beijo.
           No início seria difícil, mas elas sobreviveriam. E foi pensando na mãe e no filho que estava em seu ventre que Flor sentiu-se sufocar. As mãos fortes de Tony apertavam sem piedade o fino pescoço de Flor que foi ficando sem ar e veio a desfalecer nos braços de seu assassino. Mas antes, ela pôde fitar ainda, os olhos frios de quem tanto amou. E tudo se acabou.
          Depois que a sufocou até quase matá-la. Tony, ansioso em terminar seu trabalho. Tirou o cinto de couro que usava, passou em volta do pescoço da garota e o apertou com tanta força que quase lhe decapitou a cabeça.  Depois de vê-la morta a pegou em seus braços e a jogou nas águas escuras e silenciosas do rio.
          E foi assim que terminou a breve vida de Flor. Numa estrada rural longe da mãe que tanto a amava e que depois desta noite nunca mais pôde dormir. Esperando sua menina voltar pra casa.
         Flor, tão delicada quanto seu nome, teve também a vida breve das flores. E enquanto viveu, trouxe somente beleza e poesia. Vindo a morrer estraçalhada nas mãos de quem escolheu para amar.

Desprezada Flor

          Aos 15 anos Flor foi dada como desaparecida. O seu corpo nunca foi encontrado. A mãe percorria todos os dias as ruas da cidade atrás de notícias e nunca teve uma pista sequer que lhe abrandasse a dor e lhe trouxesse esperança. Em seu íntimo ela sabia que Flor não voltaria mais. Mesmo assim ela nunca desistiu.
          A polícia foi atrás do suposto namorado da menina. Que não assumiu em momento algum o romance atribuído a ele e ainda teve a desfaçatez de dizer aos policiais que o interrogaram que desconhecia a garota, pois tinha uma namorada ciumenta que o controlava com mãos de ferro. Ele até já soube através de amigos, de uma balconista que tinha uma queda por sua pessoa. Mas quanto a isso ele nada podia fazer. Disse isso com cinismo e sem uma gota de remorso a ponto de a polícia concluir que o rapaz era um pobre inocente tentando se esquivar das cantadas indesejadas de moças carentes. O caso permaneceu sem solução e semanas depois foi arquivado. A polícia concluiu que Flor fugira para outra cidade com algum rapaz qualquer.

Dizimada roseira

          Oito meses se passaram e o coração da mãe de Flor não resistiu à tristeza pela ausência da filha e veio a falecer. Mãe e filha de personalidades meiga e humilde deixaram esta vida sem que alguém pudesse continuar a sua história. Ela nunca soube da gravidez de sua Flor.

Tony, o noivo
          Um mês após a morte da mãe de Flor, aconteceu o tão aguardado casamento de Tony e Letícia Mendes. O pai devido a inúmeros tratamentos caros no exterior teve uma melhora repentina e participaria do casamento da filha.
           Foi num dia ensolarado no mês de maio de 2000. A cerimônia de casamento seria tão grandiosa que a pequena igreja da cidade não comportaria o número de convidados. Então foi combinado que a festa seria realizada numa magnífica fazenda que pertencia à jovem herdeira. Os preparativos contaram com centenas de pessoas em sua organização. O pobretão e atendente de uma casa de peças, Tony Silva, se casaria no próximo sábado com a herdeira milionária Letícia Mendes. Em toda a cidade o assunto mais comentado era o casamento dos jovens pombinhos. Havia gente que ligava o desaparecimento de Flor de Lis Ribeiro a Tony Silva e muitos falavam que Tony havia assassinado a bela Flor para se casar com Letícia Mendes e colocar as mãos na fortuna do velho morimbudo.
          Um motorista de carreta viu uma caminhonete preta saindo de uma estrada rural no dia do desaparecimento de Flor. Mas como nenhum corpo foi encontrado a polícia não deu importância ao caso e levou em consideração a condição financeira da noiva de Tony. Afinal estamos no Brasil onde a justiça é medida em cifras.
 Não sejamos injustos, a polícia até tentou, mas nunca houve provas que ligasse Tony ao desaparecimento da menina Flor de Lis.      Não havendo um corpo, portanto não havia um crime. Sem qualquer prova concreta nem Letícia e nem seu pai doente jamais souberam do envolvimento de Tony no desaparecimento da balconista de uma loja de roupas. Nem ao menos tomaram conhecimento do misterioso sumiço de Flor. Tinham outras preocupações mais importantes que envolviam cifrões.
         Um capítulo passado na história de Tony. Só lhe restava agora se preparar para o grande dia que estava marcado para o próximo sábado.
          O casamento seria celebrado ao lar livre. Mas na sexta feira, véspera do casório, choveu torrencialmente na fazenda a ponto de fazer transbordar o rio que passava ao lado do altar. Resolveu-se de última hora montar tendas enfeitadas com flores brancas para abrigar os convidados que viriam para a cerimônia caso chovesse.
          Chegou enfim o grande dia.  Helicópteros com empresários milionários, suas esposas e amantes siliconadas foram chegando à fazenda. Toda a nata da sociedade compareceu em peso ao importante evento. Um padre pop star celebraria o comentado casamento.
          Letícia chegou deslumbrante arrastando um vaporoso vestido desenhado por um renomado estilista Italiano. A maquiagem foi feita por badalado maquiador americano, que só viera ao Brasil para maquiá-la.  Letícia desfilou sozinha no grande tapete branco, caminhava orgulhosa ao encontro do noivo. Não queria dividir os flashes com o pai, que assistia ao casamento sentado numa cadeira de rodas ao lado do altar. O velho tivera uma surpreendente melhora e não perderia este momento por nada.
          A cerimônia prosseguiu tediosa e interminável. O maldito padre falou durante horas e os convidados só pensavam em se esbaldar no caviar com champanhe e vinho do porto. Mas o filho da puta do padre não terminava aquele sermão nunca mais.
           Não é segredo que todos vão a casamento somente para comerem até se fartarem e usar roupa nova. Palavras bonitas só interessam os noivos, o resto é hipocrisia!
          Aos que discordam me desculpem e não venham me repreender com discursos demagógicos redigidos em linguagem acadêmica. A realidade é que ninguém vai a casamento para escutar ladainha e discurso meloso. Sejam convidados ricos ou pobres, o que todos desejam é se embebedarem e meter o pau no vestido da noiva. Não podendo esquecer-se da bunda enorme da madrinha e que muitos arriscaram o palpite de que ela estava sem calcinha. Pelo menos era o que parecia!
          E enfim o aguardado sim! O momento mais aguardado por Letícia e Tony.

Uma visita inesperada

          O rio de águas calmas que cortava a fazenda não parecia o rio atormentado da noite anterior. Estava silencioso, como se velasse o sono de um defunto em seu leito de morte.  Havia algo na atmosfera que parecia destoar daquele festivo ambiente.
          Um vento forte agitou o rio molhando o altar. Ninguém estava preparado para os acontecimentos que se seguiriam. Uma serena correnteza vinha trazendo um estranho convidado. Um corpo de menina trazido pelas águas do rio foi depositado entre o padre e o jovem casal. Curiosos se aproximaram. O padre se benzeu.
          Inexplicavelmente as mãos do noivo começaram a sangrar.  Bem diante dos pés de seu assassino, Flor ressurgiu com o mesmo vestido verde de flores miúdas, brinco de bolinha dourada e uma saliente barriga de grávida. Tinha sido trazida pelas correntes de águas frias do rio que cortava a fazenda. Estava linda, intacta e serena.
          Um detalhe chamava a atenção. Ela trazia firmemente preso ao pescoço um cinto de couro que quase a decapitava.
          Hoje Flor completava nove meses de gravidez.
          Seu ventre se contrai.


                                  Fim
 
Siria Malta
Enviado por Siria Malta em 09/04/2019
Reeditado em 10/04/2019
Código do texto: T6619444
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Siria Malta
Itaguara - Minas Gerais - Brasil
58 textos (1349 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 06/12/19 09:28)
Siria Malta