O triste fim da jovem Vitória Regina - Crime em Cajamar.
Ainda é um caso em investigação, a polícia segue trabalhando para resolver todas as dúvidas do crime ocorrido, mas vamos conversar sobre tudo o que se sabe de concreto até agora.
A adolescente Vitória desapareceu e foi encontrada morta com sinais de tortura dias depois.
Perícias continuam em andamento e as autoridades apuram a participação dos envolvidos nesse crime que abalou o Brasil.
O DESAPARECIMENTO
Na noite de quarta-feira, dia 26 de fevereiro, Vitória Regina deixou o shopping onde trabalhava, pegou um ônibus e seguiu para casa, ou melhor, tentou chegar em casa.
Imagens mostram, vinte minutos depois, Vitória atravessando a avenida, logo ela pegaria um segundo ônibus.
Já no ponto, publicou uma foto em uma rede social e mandou a seguinte mensagem para uma amiga:
"Tem uns dois meninos aqui do meu lado. Estou com medo.”.
A tal imagem mostra a jovem e os dois rapazes embarcando no ônibus por volta da meia-noite.
A viagem durou quase meia-hora.
Ao descer, Vitória estava mais tranquila:
"Nenhum deles desceu no mesmo ponto que eu. Então, está de ‘boaça’. Não tem problema nenhum.”, disse.
Em sua rotina da volta do trabalho, Vitória pegava dois ônibus e, ao descer, sempre era recebida pelo pai, ou melhor, quase sempre.
Uma daquelas ironias do destino, daquelas coisas que alguns chamam de azar, nesta noite, seu pai não foi buscá-la, pois seu carro estava estragado e a jovem teria que caminhar sozinha por quase 1 km até chegar em casa.
Para esclarecer, o pai de Vitória sempre a buscava de carro, nessa noite, ele não tinha como fazer isso de a pé, pois ele tem certas restrições de saúde, que impede sua mobilidade, tendo que usar muletas.
E outro detalhe importante é que naquela região, por ser interior, uma área bem afastada, os carros de aplicativos não costumam aceitar viagens.
Logo após dar os primeiros passos, ela voltou a mandar mensagem de áudio para a amiga.
“Passou uns caras em um carro e eles falaram: ‘E aí, vida, está voltando?’. Ai, meu Deus do céu. Vou chorar. Vou ficar mexendo no meu celular. Não vou nem olhar para eles. Ai, Jesus do céu, eles entraram na favela.”
A mensagem chegou à meia-noite e meia e, a partir de então, ninguém mais soube de Vitória.
O pai da menina, Carlos, que tinha trocado mensagens com ela durante o trajeto, conforme foi levantado pela investigação, no dia do desaparecimento de Vitória, enviou mensagem à adolescente questionando se ela iria para a casa ou para a casa de sua irmã, Verônica, e ainda lembrou a filha que só no dia seguinte o carro da família estaria pronto, pois estava estragado.
Ao responder à mensagem por texto, Vitória disse que iria para a casa do pai e na sequência, Carlos enviou áudio dizendo:
"Tá bom, então. Cuidado, viu?".
A partir de uma e quinze, o aplicativo de mensagens mostra várias ligações de voz feitas para a jovem e que não foram atendidas.
AS BUSCAS
No dia 27, as buscas foram iniciadas, como o bairro onde a jovem morava com a família fica em uma área rural de Cajamar, havia uma área bem extensa para procurarem, e assim, mais de 100 pessoas, entre homens da Guarda Civil Metropolitana, policiais civis e militares, forças de segurança estaduais e da cidade de Cajamar iniciaram diligências para reunir elementos que auxiliassem na localização da adolescente e no esclarecimento dos fatos.
As buscas inicialmente, claro, foram concentradas na região onde a jovem foi vista pela última vez e depois, o escopo foi ampliado e além dos 100 agentes mobilizados, moradores começaram a ajudar nas buscas.
Infelizmente, 7 dias depois a investigação de desaparecimento se tornou em investigação de assassinato, pois o corpo de Vitória foi encontrado em uma área de mata fechada, localizada a cerca de 5 km da casa dela.
Quem era Vitória
QUEM ERA VITÓRIA
Vitória Regina de Sousa era uma adolescente de 17 anos, trabalhava em uma lanchonete em um shopping de Cajamar há poucos dias.
Em suas redes sociais, ela dizia ser corintiana e maior de idade.
Frequentemente, publicava selfies em seu Instagram e imagens ao lado da melhor amiga.
Ela demonstrava vontade de fazer curso de necropsia para trabalhar com autópsia, além de compartilhar seu sonho de se tornar mãe de um menino e de uma menina.
O último post de Vitória foi feito no dia 16 de fevereiro, quando ela falou de sua vontade de formar uma família.
Como a maioria de sua idade, ela era trabalhadora e sonhadora, em entrevista, familiares disseram que Vitória era uma menina dedicada, que ajudava nas contas de casa e sonhava em voltar a estudar.
"Feliz, brincalhona, brincava bastante, com as crianças principalmente. Vitória era menina de coração bom. Quando precisava comprar leite para o meu filho e eu não tivesse dinheiro, prontamente ela me mandava", disse a irmã Weronica Alves de Sousa.
A adolescente tinha deixado o colégio, mas sonhava em retomar os estudos muito em breve.
Enquanto isso não acontecia, ela havia começado a trabalhar em uma lanchonete quatro dias antes de desaparecer.
"Eu chamava ela de minha princesa, minha princesa. Ela era muito linda, sempre satisfeita com a vida. Não caiu a ficha. Para mim, ela está viva lá na casa do pai dela", lamenta sua avó Virgínea Maria de Souza.
A ENTREVISTA
Quando o corpo da jovem foi descoberto com sinais de tortura e com o cabelo raspado em área de mata de Cajamar, na Grande São Paulo, o assunto já estava viralizado, e sendo notícia em todos os canais de tv e sites de notícias.
E foi em um programa de tv que aconteceu um fato inusitado nesta história tão triste, enquanto o pai da jovem Vitória, Carlos Alberto Souza, relatava dias que ele classificou como "filme de terror".
"Já não tenho mais lágrima para chorar, não tenho mais nada para fazer. Queria ter feito alguma coisa. Às vezes eu me culpo até do carro ter quebrado", afirmou ao se referir àquela falha no veículo que obrigou Vitória a voltar sozinha para casa.
E nessa conversa, a entrevistadora quis saber se o homem sabia quem havia tirado a vida de sua filha e, ao longo da entrevista, ela surpreendeu Carlos Alberto com informações vindas da investigação.
"A Polícia Civil disse agora há pouco ter esclarecido o assassinato da sua filha. Foi um crime passional, segundo a polícia o assassino é um homem chamado Daniel, que tinha um relacionamento amoroso com o ex-namorado da Vitória", relatou.
"Ele teria contado com dois amigos que tinham ajudado a matar, a transportar o corpo da Vitória e os três homens estão escondidos numa área de mata em Cajamar. A busca pelos três suspeitos já começaram e a gente vai acompanhar os desdobramentos. O senhor estava sabendo disso?", reforçou a jornalista, ouvindo uma negativa do pai de Vitória.
Daniel seria namorado do ex-namorado de Vitória, ou seja, um crime passional em outras palavras.
Em razão dessa revelação e de detalhes tão, digamos, no mínimo, fortes, e tudo ao vivo sobre a autoria e motivação do crime, a família de Vitória resolveu ingressar com ação contra a rede de televisão e a apresentadora.
Segundo, o advogado da família, o pai da adolescente alega ter sido surpreendido e pede a reparação em uma indenização de R$ 200 mil pela exposição de forma vexatória.
Em entrevista à CNN, o advogado Fabio Costa afirmou que o pai da jovem se sentiu “surpreso, perplexo e, principalmente, humilhado” com a condução da entrevista.
AS INVESTIGAÇÕES
Com o passar dos dias, muito da investigação se tornou público, muitas teorias foram levantadas e muito foi falado, algumas verdades e outras, infelizmente, suposições mentirosas, nós vamos nos ater aos fatos, segundo a polícia investigativa de São Paulo foi desvendado o mistério por trás da morte da jovem Vitória Regina e o vizinho dela, único suspeito preso, Maicol Antonio Sales dos Santos é o assassino confesso do crime.
O maior enigma da investigação era a motivação do assassinato, porém, depois de quase três semanas, os responsáveis pelo inquérito concluíram que houve um “crime passional”, já que Maicol teria obsessão pela vítima.
MAICOL
Maicol Antonio Sales dos Santos, de 26 anos, era vizinho de Vitória no bairro de Ponunduva, e contra ele pesam várias provas.
Ele não nenhuma relação com a família da vítima. O contato mais próximo foi com um irmão de Vitória, quando eles estudavam na mesma escola, anos atrás.
Depois disso, segundo a irmã da vítima, Weronica, não houve mais contato e segundo ela, Vitória nunca mencionou o nome desse homem.
Maicol é mecânico e costumava levar seu carro, o Toyota Corolla que teria sido usado para o crime, na mesma oficina onde o pai de Vitória, Carlos Alberto, também levava seu veículo para consertos e que, quando aconteceu o crime, casualmente estava nessa oficina.
Como as fotos em seu telefone, nele foram encontradas fotos da jovem Vitória, de garotas parecidas a ela e de armas como um revólver e uma faca.
Dados de antena também colocaram ele a um raio de menos de 300 metros da jovem na madrugada em que ela desapareceu.
Testemunhas divergiram do depoimento do suspeito e afirmaram ter avisado o veículo dele na área do crime quando ele aconteceu.
E o suspeito ainda apresentou “comportamento estranho” segundo investigadores.
Amostras de sangue colhidas na casa e no automóvel dele estão sendo comparados com a genética de Vitória.
No dia 18 de março a polícia paulista divulgou que Maicol confessou o crime e detalhes do depoimento dele foram esclarecidos pelo diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo, Luiz Carlos do Carmo, e o delegado Fábio Cenachi, titular da delegacia de Cajamar, durante uma coletiva de imprensa.
A quebra do sigilo do celular do suspeito revelou que, desde o ano passado, Maicol monitorava Vitória e planejava a abordagem. “Há poucas contradições com base nas provas que reunimos até agora”, afirmou o diretor do Demacro. “Fica muito claro que ele era obcecado pela vítima, que ele já vinha monitorando a vítima desde o ano passado”, completou.
A polícia também descobriu que o suspeito comprou, pela internet, um capuz do tipo balaclava e utilizou o acessório durante o crime.
Além disso, próximo ao local onde o corpo foi encontrado, foram achadas uma pá e uma enxada, reconhecidas pelo padrasto de Maicol como pertencentes à sua casa, de onde haviam desaparecido.
A investigação revelou ainda que o criminoso armazenava 50 fotos de mulheres com o mesmo perfil de Vitória.
A polícia verificou se havia registros de desaparecimento relacionados a essas mulheres, mas descartou a possibilidade de outras vítimas conhecidas.
Os policiais afirmaram, ainda, que Maicol mantinha uma obsessão e era “apaixonado” pela vítima.
A polícia acredita que, após o crime, Maicol levou o corpo de Vitória para sua casa.
O criminoso afirmou ainda ter queimado pertences de Vitória, como roupas e objetos, após o crime.
Maicol admitiu ter esfaqueado a vítima, que morreu de uma hemorragia traumática em decorrência de facadas no tórax, pescoço e rosto.
Apesar das especulações iniciais, a polícia confirmou que não houve decapitação do corpo de Vitória.
A polícia revelou que ele monitorou a vítima por sete meses com um perfil falso.
Cícero, um amigo do suspeito, também esteve na delegacia e negou envolvimento no caso, e os investigadores concluíram que Maicol agiu sozinho e que não houve abuso sexual.
“Primeiro porque ele já vinha perseguindo a vítima, o que chamamos de stalker. E, na sequência, houve o arrebatamento”, disse o delegado.
O delegado Fábio Cenachi ressaltou que a investigação foi baseada em provas técnicas, o que justificou o silêncio diante da busca da imprensa por declarações.
A Polícia Civil acrescentou que uma pessoa com o perfil de Maicol dificilmente conseguiria agir em parceria com outro psicopata.
“Geralmente, eles são extremamente narcisistas, egocêntricos e controladores. Não conseguiriam estabelecer empatia ou lealdade entre si, o que geraria embates”, afirmou o delegado.
A polícia revelou, ainda, que a jovem de 17 anos morreu de hemorragia traumática, em decorrência de golpes de faca na região do pescoço.
Segundo apontado pela investigação, Maicol confessou que esfaqueou Vitória, quando a vítima reagiu a uma ação dele.
Mesmo com as provas e declarações dos policiais, o pai da vítima, em declaração a um programa de televisão, disse não acreditar que Maicol fez isso sozinho com sua filha, pois ele não aceita que sua filha teria entrado no carro do assassino sem ter sido forçada e muito menos que um homem apenas teria conseguido mantê-la de modo forçado dentro do veículo, ou seja, ele pensa que há, no mínimo, mais um envolvido que o ajudou no ato, a carregar seu corpo, escondê-lo, limpar o carro...
A polícia ainda busca esclarecer se Vitória foi assassinada logo após ser sequestrada ou se permaneceu em cativeiro antes de ser morta.
A casa de Maicol foi periciada e vestígios de sangue encontrados no local estão sob análise.
Maicol não esclareceu como descartou o corpo.
A polícia suspeita que ele tenha levado a adolescente para sua casa antes de desová-la na área de mata onde foi encontrada.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que o caso segue em investigação pela Delegacia de Cajamar e que a conclusão do inquérito depende dos laudos periciais ainda em andamento.
No mesmo dia em que foi divulgada a confissão, a defesa de Maicol ingressou com um Hábeas Corpus, sendo que apontou pontos que considerou mentirosos nos depoimentos de outros investigados no caso. Um dele é o fato de Gustavo Vinícius, ex-namorado da jovem, ter dito que não via a vítima há meses, porém, por meio de rastreios telefônicos, a polícia teria apontado a presença do mesmo próximo da vítima.
Além disso, os advogados reforçam que Maicol se apresentou espontaneamente e ofereceu seu veículo para ser periciado três vezes, conduta que não foi levada em consideração pela autoridade policial, segundo a defesa.
Os advogados ainda alegam que Maicol possui residência fixa, emprego e é réu primário.
Eles dizem que nenhuma das testemunhas citaram algum tipo de ameaça por parte do investigado e que ele só foi considerado “um suspeito, pois, algumas testemunhas, após verem os noticiários, começaram a elucubrar sobre o ocorrido, sendo certo que, em todas as oportunidades em que alguém aponta o investigado, consta, parafraseando, ‘após ver os noticiários, imaginei'.
Outro detalhe é que a defesa de Maicol não conhece a confissão feita por ele, pois, em nota, os advogados de Maicol esclarecem que não houve confissão de autoria ou participação no caso de Vitória Regina de Souza.
A defesa refuta qualquer informação diversa.
Os representantes reforçam que “qualquer declaração atribuída a ele, feita sem a presença de seus advogados, ofende a legislação processual”.
Bem, chegamos ao final desse vídeo, mas não ao final dessa história, pois ainda tem muito a ser provado e esclarecido, ainda há laudos técnicos a serem finalizados, e a investigação segue em curso...
E nós vamos manter você atualizado e traremos todas as novidades desse caso tão triste e atual.
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https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/caso-vitoria-familia-entra-na-justica-contra-globo-e-patricia-poeta/
https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/pedro-duran/nacional/sudeste/sp/caso-vitoria-policia-ve-misterio-desvendado-em-crime-passional/