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Os Segredos da Rua Baker 3: 31- Epifania


Ao acordar, John pensou que se não estivesse no porão imundo do homem mais perigoso e sádico da Inglaterra, ele até ficaria feliz com a cena em que se via metido, pois Irene dormia tranquilamente abraçada a sua cintura e com a cabeça repousando em seu peito.

Ele não ousava se mexer por querer viver aquele momento pelo resto da eternidade, porém aquilo não seria possível, então teve de acordá-la.

-Estranho. – Ela disse com uma voz sonolenta enquanto coçava os olhos.

-O que? – Ele acariciava os cabelos dela como se fosse um gesto corriqueiro na relação dos dois.

-Sem pesadelos. Tenho pesadelos desde criança... Alguns pesados, outros leves, mas foi a primeira vez que dormi tranquilamente um noite inteira. – Ela o olhou sem se afastar. - John, eu preciso sair daqui.

-Bem, eu sei.

-Não, John, 24 horas fora daqui. É tudo que preciso para nos livrar completamente do Sigerson.

-Sério? O que? Você teve uma epifania?

-Algo assim. Agora, escute bem o que faremos.

***

Sigerson acordou animado, pois já fazia um mês que sua sobrinha estava em seu poder e, finalmente, Irene estava demonstrando fraqueza. Sua mente já não tinha mais tanta força para resistir aos seu comandos, ela estava perto de se entregar completamente.

Entretanto, com toda a sua empolgação, ele pode ter errado a mão. Talvez a tenha pressionado exageradamente; talvez a pressa o fez cometer esse erro ou Irene não é tão forte quanto imaginou. Ele estava em choque a vendo ter uma convulsão bem na sua frente. Pela primeira vez em toda a sua existência, Sigerson não sabia como reagir, então apenas começou a gritar para alguém ajuda-lo.

John havia saído a pedido do Sigerson para buscar o Gaspar, pois este precisava de alguns papeis assinados com urgência. Um dos seguranças subia com a Irene nos braços desmaiada quando os dois entram na casa. Gaspar se ofereceu de chamar uma ambulância, porém logo foi dispensado por seu chefe, John por outro lado, correu em desespero até o quarto onde sua amada fora posta.

-EU TE AVISEI, SIGERSON, VOCÊ A ESTAVA PRESSIONANDO DEMAIS!

-Preste bem atenção a como fala comigo...

-Ou o que? – John chegou ameaçadoramente próximo. – Vai matar meus pais? Vai em frente. Escute bem, Sigerson, nada vai me impedir de tirar a Irene das suas garras.

John sumiu escada abaixo, porém seu retorno não foi demorado. E, dessa vez, Mycroft Holmes veio junto.

-Irmão, por que decidiu se meter nos meus assuntos? – Sigerson questionou.

Mycroft deu uma olhada para a sobrinha que se encontrava deitada na cama, com John sentado ao seu lado, ela parecia dormir tranquilamente apesar da palidez e da óbvia desidratação.

-O nosso acordo está cancelado. Suas empresas não terão mais o apoio do governo.

John, surpreso, passou a fita-los imediatamente.

-Não tente me ludibriar, Mycroft, eu sei que é sua filha quem...

-Enquanto eu viver, eles farão o que eu ordenar. Tentei evitar o seu confronto com a Irene ao máximo. Ela é muito teimosa, entretanto pensei já estar pronta... – Ele baixou a cabeça em um misto de tristeza e vergonha. - Percebo ter me enganado. Vamos tirá-la daqui, inspetor.

-Ela irá voltar.

-Nossa sobrinha é muito obstinada como já sabe, no entanto, dessa vez, ela será melhor monitorada. Por nos deixar sair em paz, eu lhe darei um mês para organizar seus negócios. Com licença, irmão querido!

John com Irene nos braços seguia Mycroft enquanto iam em direção a saída da mansão, eles passaram pelo Sr. Moretti no caminho que se viu aliviado por deixarem aquele lugar ainda vivos.

Poucas horas depois a família Holmes e seus agregados estavam na sala discutindo a respeito dos últimos atos do Sigerson. John não permaneceu junto deles, pois não largava Irene por nada nesse mundo.

-Você devia parar de andar de um lado para o outro ou vai me dar vertigem. – Ela disse.

-Desculpe, mas não entendo como não está com raiva. – Ele foi sentar ao lado dela na cama.

-Raiva de que?

-Mycroft te vendeu, Irene. Ele preferiu se omitir de qualquer ajuda a você por causa de contratos.

-John – ela pegou a mão dele nas suas – você entendeu errado. Sigerson é obcecado por mim, mas, acima de tudo, ele é ambicioso.

-Então, Mycroft...

-Ofereceu contratos vitalícios com o governo britânico para tirar o Sigerson do meu pé. Quando criança, eu sabia da fixação do Sigerson e de tudo que fez.

-Você planejava uma vingança? Se hoje em dia está tendo dificuldade em acabar com esse monstro...

-Por isso o Mycroft decidiu mexer nas minhas memórias. Só que minha mente não queria esquecer, mandando assim, avisos em forma de pesadelos.

-Onde o Morse entra em tudo isso?

-Aquele pobre homem apenas foi usado pelos Holmes. Mycroft e Sherlock me deixaram mata-lo sabendo não ter sido uma sentença merecida. Nada do que fez foi ideia dele. Sigerson plantou a semente do ódio o fazendo crer ser filho do Moriarty.

-O que?

-Morse era apenas um lunático pau mandado do Sigerson e da Zoe. Quando Sherlock ficou sabendo do acordo entre meus tios, ele voltou, coincidentemente no período em que o Sigerson decidiu convencer o Morse a ser mestre da Cúpula dos Nobres, dando início aos assassinatos que, sem ter qualquer noção da verdade, eu comecei a investigar.

-Uau! Família interessante... Aliás, não vai falar a verdade sobre não estar convulsionando?

-John, nós tivemos um péssimo mês e merecemos dormir em uma boa cama sem hora para a acordar. Devo confessar estar muito cansada para dar qualquer explicação no momento.

-Vou deixa-la descansar.

John levantou, mas Irene o segurou antes de ir muito longe.

-Aonde vai? Você é como um enorme remédio contra pesadelos.

-Essa foi a pior cantada que já recebi. – Ele falou sorrindo.

Ela pareceu confusa.

-Eu não estava...

-Era brincadeira.

John logo juntou-se a ela na cama. Ele a abraçou por trás caindo no sono imediatamente, ao seu lado Irene reabriu os olhos por sua mente não conseguir parar quieta por um único segundo. Seu novo plano tinha vários finais possíveis, mas nenhum deles seria feliz e o pior de tudo, ela sempre terminaria deixando John triste.
ALANY ROSE
Enviado por ALANY ROSE em 15/06/2020
Código do texto: T6978210
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Sobre a autora
ALANY ROSE
Teresina - Piauí - Brasil, 34 anos
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ALANY ROSE