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POENTE VERMELHO

        Hoje, pelas três da tarde, estava atrasado para o meu trabalho. Mas, por sorte a feira ficaria aberta até às 18h. Arrumei-me, então, com primor, ao som de uma bala música clássica, vestindo-me com uma das minhas melhores roupas, pois queria que este momento tão importante fosse marcado por uma vestimenta a altura.
        Sai, andei a pé até a feira, isso para sentir o suave vento da tarde em minha face. E a pé seria mais fácil disfarçar-se em meio à multidão.
        Após uma agradável caminhada, cheguei à feira; lá, pude maravilhar-me com a explosão de cores típicas de uma. Amarelo, verde, vermelho, laranja e todas as cores possíveis de existir em todos os tipos de legumes e frutas que se encontravam em uma quitanda.
        Parei e comprei alguns tomates, demorei um pouco ali, isso porque queria escolher os melhores, os de melhor consistência, tanto internas quanto externas. Acariciei e apalpei uma dúzia de tomates, descartando os ásperos e os moles. Após terminar essa tarefa, respirei fundo e pude farejar em meio à balbúrdia de cheiros, o agradável aroma de pastel. Não pude resistir, adoro pastel.
        Logo após a compra do suculento lanche, fui tratar do verdadeiro motivo pelo qual eu estava ali. Atravessei a multidão em polvorosa, podendo ouvir todos os feirantes e compradores. Havia muitas pessoas, por isso ouve um pouco de atraso. Mas, uma grande multidão era essencial para mim. Caminhava degustando aquele delicioso pastel de queijo, o melhor que já comi, assim pude esquecer-me um pouco de minha tarefa.
        Já era tarde, o Sol começava a se por no horizonte, as cores vermelhas e laranjas do poente banhavam, por entre as lonas, meu rosto. Encontrava-se a minha espera Fernando, em pé ao lado de uma barraca de alho.
        Lentamente aproximei-me dele, evitando que este me percebesse. Passei o pastel da mão esquerda para a direita. Vesti umas luvas e, com a mão esquerda, então, empunhei uma afiada adaga... A qual deixei no peito de Fernando. Não houve reação para um grito. E ele calou-se, morrendo silenciosamente, no poente vermelho de sangue daquela tarde pacata, sem chamar a atenção, sem que ninguém notasse que sua alma expirava. O que eu tinha de fazer, eu fiz. Sai da feira sem, ao menos, levantar suspeitas.
        Ah! Com aqueles tomates, fiz um ótimo molho para macarronada, vermelho como o sangue daquele que morreu. Aquele foi um ótimo dia!

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Alfredo Alvarenga  -  2005
Alfredo Alvarenga
Enviado por Alfredo Alvarenga em 04/06/2020
Reeditado em 04/06/2020
Código do texto: T6967122
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Alfredo Alvarenga
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 32 anos
17 textos (999 leituras)
22 e-livros (592 leituras)
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