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O negociador

A SWAT já havia cercado o prédio. Luz, água e gás cortados. Franco-atiradores posicionados nos edifícios vizinhos, aguardando por uma falha do sequestrador para derrubá-lo com uma bala certeira. Isto, claro se o negociador não levasse a bom termo o seu trabalho.

O tenente Franklin, a calma em pessoa, passou pela barreira policial cerca de uma hora após o perímetro ter sido isolado. O centro de operações móvel estava funcionando num furgão, nos fundos do prédio onde um homem mantinha um número indeterminado de pessoas em cárcere privado.

- Alguém fez contato com o sequestrador? - Indagou Franklin ao entrar no furgão.

- Estávamos aguardando o senhor, tenente - redarguiu um dos policiais presentes, frente a um painel de controle, fones cobrindo os ouvidos.

- Quantos reféns?

- Calculamos entre oito e doze pessoas. Há uma loja de conserto de computadores no térreo, não sabemos exatamente quantos clientes havia quando o sequestrador entrou - respondeu o policial.

- Muito bem. Vou ligar para a loja - alertou Franklin, digitando o número que o policial havia lhe passado.

O telefone foi atendido no segundo toque, demonstrando que a ligação era aguardada.

- Tenente Franklin, polícia de Nova Iorque. Com quem eu falo?

- Meu nome é Amos - disse uma voz cansada do outro lado. - Você é o negociador?

- Sim, Amos. Estou aqui para ouvir suas condições e tentar entender porque resolveu fazer isso.

- Muito bem, tenente Franklin, aqui vão as minhas condições: quero um carro blindado com o tanque cheio, um colete à prova de balas, dois motociclistas da polícia para me escoltarem até o aeroporto La Guardia, onde um jato executivo abastecido deverá estar me aguardando…

- Um momento que estou anotando - solicitou Franklin, embora a conversa estivesse sendo gravada. - Um jato executivo, você disse? Mas para levá-lo para onde?

- Belize, América Central - foi a resposta seca.

- Um jato executivo não é algo fácil de arranjar - informou Franklin cautelosamente. - E você terá que cooperar libertando os reféns, para que eu possa acionar as autoridades que poderão auxiliar a obter o que quer.

- Eu não terminei minha lista, tenente - atalhou Amos. - Também quero que uma pessoa venha me ver.

- Algum parente ou amigo? - Indagou Franklin.

- Ross Thibaud - declarou Amos. - Meu ex-patrão.

***

- A resposta é não - informou Ross Thibaud ao ser procurado pelo tenente Franklin. - A minha vida corre risco se eu voltar a ficar frente à frente com Amos Philipps.

- O senhor não precisa ficar frente à frente com ele - sugeriu Franklin. - Pode telefonar da nossa base de operações, atrás do prédio invadido.

- Eu não preciso falar com ele para saber o que esse louco quer, tenente. Acredite: se eu fizer o que ele deseja, não serão apenas os reféns que estarão em perigo.

Franklin havia levantado o histórico profissional de Thibaud e descobrira que a empresa dele prestava serviços para as forças armadas. Que tipo de serviços exatamente, não conseguira descobrir, pois estavam protegidos por sigilo.

- Bem… imagino que se isso envolver alguma informação classificada, talvez queira ligar do seu próprio telefone - sugeriu Franklin. - Posso lhe passar o número onde Amos está.

Ross Thibaud finalmente demonstrou alguma compreensão e balançou brevemente a cabeça.

- Está bem. Eu vou fazer uma ligação… do meu escritório. Caso o que Amos queira propor não seja demasiadamente arriscado, farei contato com o senhor, tenente.

Sem muitas opções, Franklin concordou.

***

- Amos Philipps?

- Sim - replicou a voz do outro lado da linha. - Conseguiu todos os itens da minha lista, tenente?

- Bem… o seu ex-patrão reluta em vir vê-lo. Afirma que corre risco de vida. Disse que lhe telefonaria.

- Thibaud não iria ligar para um telefone grampeado, tenente - atalhou Amos. - Por isso disse para trazê-lo.

- Não posso obrigá-lo a vir, Amos. E creio que você entende as minhas razões. Quanto aos demais itens, posso conseguí-los em 24 h… se soltar alguns reféns como prova de boa vontade.

- Talvez o senhor não tenha 24 h, tenente - redarguiu Amos. - E não sou eu quem está lhe ameaçando.

Franklin só entendeu o real significado das palavras de Amos horas depois, quando uma ligação do chefe de polícia lhe informou que o caso do sequestro havia sido assumido pelos federais, e que a polícia de Nova Iorque deveria abandonar a área imediatamente.

- Nunca vi o FBI tomar uma atitude como essa antes - indignou-se Franklin.

- Tenente, eu não estou falando do FBI - advertiu-o o chefe de polícia. - É a NSA quem está no comando agora.

Os agentes da NSA não estavam muito preocupados em dialogar. Invadiram o prédio com uma dúzia de homens, e após uma rápida troca de tiros, eliminaram o sequestrador e três dos reféns. Missão cumprida, devolveram o controle à polícia de Nova Iorque.

- Houve resistência e tivemos que eliminar o alvo - informou o chefe encapuzado dos agentes, antes de todos embarcarem em furgões pretos descaracterizados e partirem em alta velocidade.

Franklin ligou para o chefe de polícia, tentar entender o que acontecera realmente. A resposta foi amarga:

- Parece que Amos Philipps tornou-se um risco à segurança do estado, Franklin. Não se lamente, não havia nenhuma possibilidade de que ele saísse dessa com vida.

[15-10-2019]
Alex Raymundo
Enviado por Alex Raymundo em 15/10/2019
Código do texto: T6770710
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Sobre o autor
Alex Raymundo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 57 anos
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