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Filhos do fogo

     - Então, nos encontramos novamente...
     - O que você quer agora, "detetive"? Veio me prender de novo?
     - Eu só quero conversar um pouco...
     - Conversar sobre o que? Você já não conseguiu o que queria?
     - Não precisa agir de forma hostil...
     - Eu só não entendo o que você quer que já não tenha conseguido anteriormente...
     - Vamos do começo... Como você escolhe as suas vítimas?
     - Ah, você quer saber meus coadjuvantes?
     - Se facilitar a compreensão...
     - Bem, eu gosto do clima familiar, aquele casal clássico que compra uma casinha, cria um filho, um cachorro... Um ambiente agradável...
     - Somente casais héteros você diz? E sempre com filhos?
     - Eu gosto dos casais, acho muito injusto matar alguém sozinho, sabe?
     - Se for pra morrer, que morra acompanhado?
     - Exatamente.
     - E as crianças?
     - O que tem elas?
     - Por que você também as mata?
     - Ah, eu não ligo pra crianças, gosto dos casais mesmo.
     - Mas nem por isso, você as poupa.
     - E eu vou deixar uma criança órfã? Melhor que morra também, não acha?
     - Mesmo com todo um futuro pela frente?
     - Ah, eu não vou separar famílias, né?
     - E por que aqui na cidade? Por que agora?
     - Ah isso é invenção do...
     - Do? Você trabalha acompanhada?
     - Eu ajo sozinha.
     - Mas você teve um "mestre"? Digamos assim?
     - Ah, ele era péssimo, só me criticava.
     - Então, ele era um homem?
     - Sim.
     - Vocês ainda tem contato? Como se conheceram?
     - Rapaz, você é insaciável, viu?
     - Só estou fazendo o meu trabalho.
     - Está certo... não o vejo há anos...
     - Então, a ideia de vir pra cá foi sua?
     - Lógico, ué? Acho que fiquei com "saudade" de casa...
     - Compreendo. No hotel em que você estava hospedada nós encontramos várias cuecas e calcinhas separadas por sacos e datas. Seriam as suas "lembranças" dos assassinatos?
     - Não posso deixar esses eventos passarem em branco né?
     - Não se preocupe que terá bastante tempo para pensar sobre isso na prisão.
     - Ossos do ofício. Pelo menos me diverti bastante...
     - Alguma chance do seu "mestre" estar por aqui também?
     - E eu lá vou saber? Não falo com ele há muito tempo...
     - Bem, creio que isso foi de grande ajuda, Paula. Obrigado.
     - De nada, "investigador". Quando quiser vir tomar um café, estarei aqui...
     A entrevista com Paula, havia esclarecido muitas dúvidas que Luís possuía ao mesmo tempo que trouxe outras. Conhecia como os psicopatas agiam e a sua necessidade por possuir "troféus" dos seus assassinatos, mas não se recordava de nenhum caso em que um psicopata tivesse um "mestre", posto que eles agiam, geralmente, por um trauma sofrido na infância. Aquilo o tornava curioso, sobretudo após a prisão de Paula. Se fosse esperto, o psicopata estaria acompanhando as notícias e se manteria em silêncio, esperando a poeira baixar para agir. A Luís, restaria saber como fazer para que saísse da toca e cometesse um deslize para pegá-lo. No dia seguinte, irá entrevistar as últimas sobreviventes de Paula. Será que encontrará mais pistas?

O andarilho
Rousseau e o Andarilho
Enviado por Rousseau e o Andarilho em 12/10/2019
Código do texto: T6767527
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Sobre o autor
Rousseau e o Andarilho
Maceió - Alagoas - Brasil
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