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A MANSÃO DOS ALCÂNTARA.



 O corpo da jovem estava estendido no chão de seu quarto, ela parecia estar dormindo, os cabelos longos e loiros espalhados por sobre a face. Se tratava da neta mais nova do senhor Augusto Alcântara Machado, a moça não respirava mais.
 - Ela está morta Dr. Claus.
 Disse o detetive Andres ao delegado depois de checar os sinais vitais da moça.
 - Tão jovem, bonita… O que será que aconteceu? Aparentemente não vejo marcas de ferimentos, nada.
 - Você achou alguma outra evidência?
 - Nada delegado, pelo menos não aparentemente. A criminalística vai demorar a chegar, somente eles para dizerem algo?
 - Acabei de Falar com o Cristiano, eles estão a caminho, mais cinco minutos e estarão aqui.
 O delegado tirou um cigarro do bolso da camisa, ele sempre fazia isso quando estava nervoso, isqueiro com o símbolo da ferrari, acendeu-o, puxou uma tragada longa, caminhou de um lado para o outro do quarto da moça, semblante fechado, tentava entender o que havia acontecido com a jovem Lana, moça mova, dezesseis anos apenas, a mais nova da família dos Alcântara.
 Era nove horas da noite de um sábado bastante frio quando ele foi chamado, não havia ninguém na mansão dos Alcântara naquele momento, a não ser o cunhado da jovem, que, a princípio foi preso como o principal suspeito da morte da jovem, ele mesmo chamou a Polícia, estava bastante abalado quando o delegado Claus chegou na mansão, dizia o tempo todo que ele não era o culpado. Seu nome, Jorge, Um engenheiro recém formado, trabalha em uma das empresas da cidade, casado recentemente com a única irmã da jovem morta, o nome da esposa é Marlene. No momento do crime estavam todos fora, o motivo do crime ainda era desconhecido.
 Jorge, o cunhado da jovem morta estava algemado na sala da mansão com outro investigador, ele chorava muito, jurava dizendo que era inocente. Enquanto isso, ainda no quarto, Claus conversava com Andres a respeito do crime.
 - Alguém da família já foi avisado? Perguntou o detetive.
 - Eu pedi para os vizinhos ligarem para os familiares, a vizinha da esquerda conseguiu falar com a esposa do Jorge, eles já estão a caminho.
 - O que você disse a eles?
 - Que viessem o mais rápido possível para cá, porque a mansão havia sido assaltada, é isso que falei, quando eles chegarem aviso-lhes todo o ocorrido.
 - Não quero nem imaginar a reação do velho Alcântara quando souber. Teremos semanas bem movimentadas delegado.
 Enquanto conversavam a equipe da criminalística havia chegado, imediatamente o delegado colocou-os a par de todo o ocorrido, eles então começaram, a partir do quarto onde ocorreu o crime, fotografar e colher as evidências, em pouco tempo a mansão estava cheia de policiais e viaturas. Todo aquele movimento despertou a atenção de todo o quarteirão, pessoas muito curiosas, pois nunca havia visto coisa parecida, saíram todos na rua, comentavam e perguntavam entre si sobre o que teria acontecido na mansão dos Alcântara.


EQUIPE DE CRIMINALÍSTICA.

 Após fotografar toda a cena do crime, a equipe que era formada por três pessoas, começaram a colher evidências, tudo quanto fosse suspeito, enquanto dois deles faziam isso, o outro examinava o corpo da jovem a fim de encontrar possíveis marcas. O delegado Claus acompanhava de perto o trabalho, o suspeito já havia sido levado para a delegacia por uma viatura. Enquanto terminavam o trabalho o carro do IML havia chegado, quase simultaneamente com a esposa do acusado.
 - Vocês encontraram alguma coisa?
 Perguntou o delegado aos investigadores.
 - Não há nenhuma marca aparente no corpo da vítima delegado, nem mesmo um arranhão, pelo menos não visivelmente.
 - E no quarto?
 - Também não encontramos nada de diferente, colhemos algumas digitais, possivelmente seja dela, a única coisa que encontramos é um preservativo usado, estava na lixeirinha do banheiro, enrolado em um papel higiênico, e pelo estado dele foi usado bem recentemente.
 - Quando confrontei o cunhado da vítima, ele acabou por confessar-me que teve relações sexuais com a moça, hoje mesmo, mas que não era ele o responsável pela morte dela, ele disse que foi seduzido pela jovem. Está tudo muito estranho.
 - Mesmo sem ter provas contundentes o senhor irá levá-lo como suspeito do crime delegado? Perguntou o detetive.
 - Era a única pessoa presente no momento do crime, e, ele mesmo confessou ter tido relações sexuias com a jovem que é de menor, a prova é o próprio preservativo, e perante a lei, a atitude dele configura-se em estupro. Falta apenas ligarmos o crime a ele, vamos esperar o que o legista dirão.
 - Tudo bem delegado, nosso trabalho por aqui terminou, vamos liberar o corpo para o IML, mais uma coisa, a esposa do acusado acabou de chegar, somente ela, e quer falar com o senhor.
 - Obrigado  ngelo, já estou indo falar com ela, qualquer novidade me liga.
  A equipe terminou de examinar toda a casa, liberaram o corpo para o IML, enquanto isso o delegado Claus conversava com a esposa do acusado. Uma mulher extremamente alta, magra, rosto fino, cabelos curtos, não representava estar abalada com o acontecido, Claus a observou por instantes antes de conversar com ela, Claus sempre fazia isso, era um costume antigo desde a época em que era apenas um policial de rua, analisar o comportamento das pessoas fazia parte de sua rotina, ele analisava todas as pessoas envolvidas ou não nos casos que resolvia. A esposa da vítima estava sentada na sala da mansão, acendeu um cigarro, enquanto olhava fixamente para uma tela antiga da família, ela nem percebeu a aproximação do delegado.
 - Boa noite senhora - Disse Claus - Podemos conversar um pouco, sou o delegado Claus.
 O semblante despreocupado e vago da mulher mudou de repente, forçou um choro, abraçou o delegado dizendo que amava muito a irmã, que não acreditava no que havia acontecido.
 - Por favor delegado… Prenda aquele canalha na cela mais escura e com os piores bandidos, não deixe-o sair, safado maldito crápula, como pode fazer isso com uma criança inocente.
 - Tenha calma senhorita Marlene.
 Dizia o delegado na tentativa de acalmá-la.
 - Como você pode me pedir calma delegado, minha irmã está morta, pelo meu próprio esposo, ou melhor, ex-esposo. Não venha me pedir calma delegado, certifique-se que ele jamais saia da cadeia.
 - Ele já está sob custódia senhora, caberá agora o desfecho das investigações para finalizarmos o caso.
 - Como assim, que história é essa, é ele o assassino, o que mais precisa ser investigado?
 - Tudo a seu tempo senhora, tudo a seu tempo.
 Claus percebeu que seria inútil discutir com ela, ele resolver sair e a deixá-la sozinha, dirigiu-se direto para sua casa, a mansão foi isolada pela polícia e só seria liberada depois de concluída as investigações. Os outros integrantes da casa ficaram em outra residência da família. Não demorou muito e o tumulto que estava na frente da mansão se dissipou.
 Enquanto isso, na carceragem da delegacia, a pedido do delegado Claus, Jorge foi colocado separado dos outros detentos, na cabeça dele  passavam mil pensamentos, os piores possíveis, Jorge estava inconformado com o que havia acontecido, ele ficou falando o tempo todo que não era o assassino, jurou inocência, os detentos riam dele, caçoavam dizendo: "Nós também somos inocentes. Por favor tire-nos daqui"
 A noite estava ainda mais fria, Jorge encolheu-se no canto da cela tampou os ouvidos para não escutar o que os presos diziam, ele parecia um animal quando estava acuado por um predador, adormeceu ali mesmo, sob o olhar curioso do carcereiro, e os olhares de deboche dos outros detentos.


NO OUTRO DIA.

 Claus acordou um pouco mais cedo que o normal, uma manhã agradável, os primeiros raios do sol surgiram no horizonte, tons de vermelho e laranja tomou a imensidão. Na cozinha sua esposa terminava o café, Claus estava quieto, não disse nada, sentou-se na mesa, pegou uma xícara de café, um pão francês, começou a comê-lo, o olhar parecia perdido no horizonte.
 - Está tudo bem meu amor, o que aconteceu? Porquê este silêncio todo.?
 - Nada não mulher, não precisa se preocupar, é aquele caso dos Alcântara.
 - Aquela moça jovem, meu Deus, está todo mundo comentando na rua.
 - E o que eles dizem, a coisa toda aconteceu ontem, e já estão falando, mas que povo mais fofoqueiro.
 - Você sabe como esse povo é Claus, estão dizendo que o Jorge tem que morrer na cadeia, estão falando até que se ele for solto vão matá-lo.
 - Esse povo fala demais Lurdes, ainda não tem nada que de fato o incrimine, vou começar a interrogá-lo hoje, só terei certeza com os resultados da perícia.
 - Por Deus homem, quando afinal você vai parar, se aposentar como um cidadão normal, ir pescar, viajar, não aguento mais essa vida Claus.
 - Eu não te disse que esse é o último caso, tenha paciência.
 - Você disse a mesma coisa naquele caso da escola e da morte do prefeito, lembra.
 - Dessa vez eu te prometo, é o último caso.
 
 Uma hora depois, já na delegacia, Claus havia colocado o acusado em uma pequena sala, onde geralmente fazia seus interrogatórios. Com ele estava apenas um dos detetives, o acusado permanecia o tempo todo cabisbaixo, não havia dito uma palavra ainda.
 - Bom dia Jorge, espero que tenha conseguido dormir a noite, geralmente as primeiras noites são tensas demais, depois vocês se acostuma. Já eu, tive uma noite horrível, minha coluna dói muito, já fiz de tudo e nada resolve.
 O acusado permanecia calado, levantou a cabeça levemente, o olhar parecia perdido no horizonte.
 - Não vai dizer nada?
 - Eu não matei a Lana. Respondeu ele.
 - É o que todos dizem Jorge, a trinta anos que eu ouço a mesma coisa, e acredite, em noventa por cento delas os acusados mentiam. Você está mentindo para mim Jorge?
 - Pela milionésima vez, eu não matei a Lana.
 - Então o que houve, conte-me, tenho todo o tempo do mundo.
 - Mais eu não sei o que aconteceu, por favor, acredite no que estou dizendo.
 - Jorge… Veja bem, tente compreender a situação. A moça, Lana, uma adolescente de dezesseis anos, é encontrada sem vida no seu próprio quarto, sem sinais aparentes de ferimentos, porém, encontramos no lixo de seu banheiro um preservativo usado, o perito disse que ele havia sido usado recentemente, como não bastasse, ele também encontrou gotas de sangue no lençol, ao que parece, a moça foi violentada. Lembro-me do senhor ter dito que havia tido relações sexuais com a jovem, é isso mesmo, você confirma isso?
 Jorge abaixou a cabeça e começou a chorar, depois ficou por alguns minutos em silêncio.
 - Ela quem me seduziu delegado, eu sei que falando assim vai parecer mentira, mas acredite delegado, ela me seduziu, a muito tempo que ela fazia isso, eu não consegui resistir, quanto a relação, houve o consentimento dela, eu não a violentei, foi ela quem quis.
 - Como assim, explique melhor isso, como foi essa sedução, como eu disse anteriormente, temos todo tempo do mundo, essa oportunidade geralmente não concedo a ninguém, mas hoje resolvi te conceder, então aconselho-te que não desperdice a oportunidade, pois você não terá outra.
 - Eu juro, digo a verdade quando afirmo que ela me seduziu, entretanto, não estou dizendo que não tenho culpa, eu tenho ciência que perante a lei, mesmo com o consentimento dela, a relação sexual que tivemos é considerada estupro. Mas entenda uma coisa doutor, ela era uma moça linda com um corpo de mulher adulta.
 - Responda-me uma coisa.
 - Sim, diga doutor?
 - Como era sua relação com sua esposa?
 - Nos últimos meses brigávamos muito.
 - E por qual motivo?
 - Ciúmes doutor, ciúmes da própria irmã.
 - Por quê exatamente ela tinha ciúmes, o que acontecia para que ela sentisse ciúmes da própria irmã mais nova?
 - É exatamente o ponto que quero chegar doutor. A Lana me provocava, tanto com roupas sensuais, esfregando-se em mim, às vezes com palavras sussurradas no ouvidos, as vezes de propósito, sentava-se em minha frente com micro saias sem estar usando calcinhas, com o tempo minha esposa percebeu, mas como a Lana sempre foi a querida da família, ela não dizia nada para irmã, apenas brigava comigo, quando eu lhe perguntava o motivo de tanta implicância ela não respondia. A lana cada vez mais provocava, dizia que me queria, falava obscenidades absurdas. No começo eu refutava suas investidas, mas com o tempo, carente pois não tinha relações com minha esposa, tornei-me alvo fácil para Lana.
 - Muito bem senhor Jorge, O senhor tem alguma prova que mostre que a jovem estava te seduzindo, cartas, bilhetes, mensagens.
 - Sim tenho, as mensagens que ela mandava pelo Whatsapp, eu as arquivei em meu celular e as mensagens está nas mãos dos peritos, eu falei para eles a respeito delas, se quiser olhar, vai ver que estou dizendo a verdade.
 - Muito bem… Eu vou conferi-las depois… Eu quero saber de você, em detalhes, como foi a noite em que a moça morreu, conte-me como foi tudo, até o momento em que você nos chamou.
 - Todos haviam saído, ficou apenas eu e minha esposa, Lana estava no quarto, eu estava na sala, assistindo TV, minha esposa estava na cozinha, alguns minutos depois minha esposa veio a mim dizendo que precisava sair, e que demoraria um pouco, pediu-me que ficasse em casa fazendo companhia a Lana.
 - Espere um pouco - Interrompeu o delegado - Você havia dito que ela estava com ciúmes da própria irmã, porquê então ele permitiu que vocês ficassem sozinhos?
 - Eu também estranhei a atitude dela, mas não dei importância, ela saiu e ficamos apenas nós dois. Eu continuei a assistir, Lana ficou no quarto. Quando ela percebeu que estávamos sozinhos, desceu as escadas que dá  acesso ao seu quarto e me chamou, dizendo que era urgente, dizendo que não se sentia bem, mesmo sabendo que poderia ser armação da Lana, pois ela já havia feito isso outras vezes, mesmo assim eu fui. Quando cheguei no quarto ela pediu que eu medisse sua febre, coloquei as mãos sobre sua testa e em sua face, foi quando ela com colocou as suas mãos sobre as minhas, segurou forte, desceu as minhas mãos até o seu pescoço, tirou os lençóis, ela estava com roupas íntimas, quase enlouqueci, ela desceu as minhas mãos até os seus seios, ao sentir aquela pele macia, doutor eu não aguentei, fizemos amor ali mesmo.
 - E o que aconteceu depois?
 - Depois veio a sensação de arrependimento, de medo, de angústia, ela permaneceu no quarto, eu desci, passou mais ou menos trinta minutos, arrependido do que havia feito retornei ao quarto dela para conversarmos a respeito, foi quando a vi estendida na cama, a princípio pensei que ela estivesse dormindo, quando tentei acorda-la, foi que percebi que ela estava morta, eu fiquei em total desespero, então que os chamei. Isso é tudo o que tenho a dizer doutor.
 - Muito bem, por enquanto é só, se houver necessidade eu o chamo novamente.



DIAS DEPOIS.

 Jorge continuava na carceragem, em uma cela separada dos demais presos, em toda a cidade não se falava em outra coisa que não fosse o assassinato na mansão dos Alcântara, nos bares, nas praças, até nas igrejas, todos comentavam sobre a morte da jovem Lana, a neta querida do poderoso Alcântara, como era conhecido seu avô. O delegado Claus pediu para que chamasse a esposa de Jorge para depor. Enquanto ela não chegava, Claus começou a analisar o relatório da perícia que havia ficado pronto naquela mesma manhã.
 Cerca de meia hora depois, a senhora Marlene já estava na delegacia, a mulher estava confiante da condenação do seu ex-marido, dispensou a presença de seus advogados, Claus a levou até a sua sala. Marlene sentou-se bem de frente dele, pediu para que Claus fosse breve, pois ainda havia muito o que fazer.
 - Qual o motivo de você ter me chamado? - Perguntou a mulher.
 - Serei breve, prometo, preciso apenas esclarecer algumas coisas e encerrar esse caso.
 Marlene abriu um sorriso, estava convencida da condenação de Jorge.
 - Onde a senhorita estava na noite do crime?
 - Com o meu pai, estávamos no shopping esplanada center.
 - A senhorita sabia das investidas da sua irmã com seu esposo, ou melhor, permita-me corrigir-me, investida não, uma tentativa de seduzi-lo.
 - Não, minha irmã jamais faria isso, porque ela ia querer algo com alguém tão mais velho, e ainda por cima o cunhado, isso não tem cabimento delegado.
 - Seu esposo disse que foi seduzido pela jovem Lana.
 - É mentira doutor, não vê que aquele safado só está querendo se livrar da culpa.
 - Outra pergunta, qual era a cor do batom que você usou naquele dia?
 - Como assim, mas que pergunta mais sem sentido doutor, com devido respeito, o que isso tem a ver com o caso.
 - Apenas responda.
 - Tudo bem. Era vermelho, porquê?
 - Onde fica seus batons?
 - É sério doutor Claus, é sério que tenho que responder isso, estou perdendo meu tempo aqui para ficar falando de meus batons.
 - Apenas responda - Disse Claus já impaciente.
 - Ficam no meu quarto.
 - A sua irmã costumava usar seus batons?
 - Não, meus batons ficam em uma pequena caixa, com cadeado, justamente para que ela não os pegasse.
 Claus fica em silêncio, retira de sua gaveta algumas fotos, as coloca diante de Marlene.
 - Você reconhece esse batom?
 Marlene fica em silêncio por alguns minutos.
 - Sim, é o meu batom.
 - Por favor, responda a última pergunta.
 - Tudo bem, pergunte logo doutor.
 - O que você comeu antes de sair de seu quarto, naquele dia? Conte-me o que foi.
 - Eu não estou entendendo nada, mas tudo bem, antes de sair, eu comi um doce de pasta de amendoim, como eu havia passado o batom, a pasta de amendoim sujou meus lábios, retoquei o batom rapidamente, pois estávamos atrasados, depois disso eu saí. Porquê, o que tem haver o batom com a história?
 - Você o guardou depois disso?
 - Provavelmente não, como disse, eu estava com pressa.
 - Pois bem senhorita Marlene, eu já estou com o resultado da perícia. E o resultado da autópsia diz que a Lana morreu por sufocamento, devido um inchaço nas vias respiratórias causadas por uma alergia fortíssima a amendoim. Sua irmã era alérgica, ou melhor, extremamente alérgica a amendoim.
 - Mais como doutor - Disse Marlene espantada - Como assim, ninguém deu amendoim para ela.
 - No seu batom, e, o restante de um doce que continha certa quantia de pasta de amendoim, eles são os culpados. Por isso perguntei. Sua irmã, depois que vocês saíram, adentrou no quarto, comeu o pedaço do doce que havia sobrado e fez uso de seu batom, que, por sinal também estava com restos do doce a base de amendoim que a senhora comeu, depois, a jovem seduziu seu esposo, transou com ele. Tudo isso está comprovado pela perícia, os resultados estão aqui, pode ver se quiser. Como eu havia dito, depois de se relacionarem, a jovem reclamou de cansaço, pediu para ficar sozinha, na verdade o cansaço era o efeito da alergia, que, minutos depois a matou. O seu esposo é inocente do assassinato da jovem, ele vai responder apenas por sedução e relação sexual com menor, que diante da lei configura-se em estupro, entretanto, a morte de sua irmã foi um terrível incidente, uma tragédia eu diria.
 De repente, o investigador entra correndo na sala de interrogatórios, chama o delegado para vir até a cela onde estava o acusado, quando lá chegou, qual não foi a surpresa de todos, Jorge havia se enforcado com os lençóis, no chão da cela havia um bilhete, com apenas uma frase escrita, que dizia. "EU SOU INOCENTE".
 O desfecho do caso abalou a todos, tempos depois, o velho Alcântara, não aguentando de tristeza veio a falecer. A nora Marlene, sentindo-se culpada por tudo, também se enforcou no quarto onde sua irmã havia morrido meses depois.
 A mansão foi fechada, e até os dias de hoje ela continua assim, a quem diga que ela é mal assombrada, a mansão foi colocada a venda a mais de dois anos por parentes distantes, mas nenhum comprador manifestou interesse em comprá-la.


Tiago Macedo Pena
Enviado por Tiago Macedo Pena em 14/08/2019
Código do texto: T6719961
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Sobre o autor
Tiago Macedo Pena
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 37 anos
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Tiago Macedo Pena