O COLAR

Entardecia, voltando do centro da cidade, para casa, vi, no cruzamento da rua, uma mulher muito bem vestida, me pareceu uma sacerdotisa. Nos braços trazia uma cesta de vime, cheia de colares de contas brilhantes e coloridas. Não senti medo, tampouco estranhei, apenas segui meu caminho.

Não lembro o motivo que me levou a olhar para o lado, mais especificamente onde estava o poste… e lá estava um moço encostado, pernas cruzadas e chapéu baixado, cobrindo parte do rosto, me olhou e sorriu, matreiro.

Do outro lado, uma moça toda vestida de azul anil. Ela olhava para mim serenamente. Percebi que ela não estava dançando mas era como se estivesse, porém não lembro dos movimentos.

Repentinamente os três me cercaram de modo que fiquei no centro daquela espécie de triangulo. Questionei o porque daquilo e pedi que saíssem da minha frente, eu precisava passar.

Não arredaram pé, e sair dali só foi possível quando cedi a insistência deles e peguei um dos colares. Eram colares grossos, nunca os vi antes e se vi não lembro. O moço se aproximou um pouco mais e me disse:

______Escolha a que você quer, pegue e leve com você!

Olhei dentro da cesta, havia apenas um tipo de colar, entretanto eram vários do mesmo modelo, peguei um e só então me deixaram passar.

Para retornar, foi só ouvir o barulho do ventilador caindo.

GK Bagoé
Enviado por GK Bagoé em 14/10/2020
Código do texto: T7087250
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