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Cardinale e Mullholland

  Aiai, suspirou Carolina, levantando-se do sofá.
  Que foi, perguntou Clara, vendo a amiga se colocar à sacada.
  Quero fugir à realidade, ela respondeu, quero ver Claudia Cardinale em preto e branco, posta contra uma fonte, num jardim de pedra...
   Clara, que estava à mesa, estudando, olhou para a TV e viu Rosane Mullholland em cores, à parada do ônibus, desesperançada e cínica, falando de crioulos.
   Entendo, pensou Clara, baixando os olhos para os números à lápis.
   Vamos jogar, pergunta esta à outra na sacada.
   Jogar o que?
   Dominó, disse Clara, claudicante.
   Carolina riu.
   Peças de osso, perguntou ela.
   De plástico, respondeu Clara.
   Então não.
   Carolina que ainda sorria, virou-se para a noite, deixando Clara com seus números, a loura falsa, as peças de plástico; esta, uma das peças na mão, pôs-se pensativa.
   Carol, se quer fugir à realidade, por que o osso?
   A amiga virou-se para ela de modo fatigado, exausto, cansado.
   Clara, clara, por que põe a minha noite turva? Não ponha as coisas confusas. Uma coisa é desejo, outra é capricho.
Candela
Enviado por Candela em 04/08/2020
Código do texto: T7026052
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Candela
Gravataí - Rio Grande do Sul - Brasil, 26 anos
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Candela