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Cincácia

Muitas vezes digo anos, mas já não sei o tempo. Hoje vejo suas fotos, sua vida... Não mudou nada. A mesma beleza incandescente da juventude permeia o olhar marcado. Imagino coisas que não posso dizer, pois nunca foram ditas: irrealidade gradativa, que contamina a (in)consciência. O fato é que tudo nesse jogo é transcendente, ao mesmo tempo incerto. O presente é sempre revelador; o passado é sempre saudoso; o futuro não sabemos se existe. Percebendo bem teus trejeitos, traços, pude ensaiar teorias, calcular probabilidades, sem nenhum embasamento científico, sem nenhum compromisso com o que existe, afinal, estamos vivos, isto nos permite explorar o inédito. Quando tento lembrar, as reações prevalecem, as emoções elucidam a sintetização orgânica que há em mim, transformando-me em tudo que sai de ti. Então a dor crônica, que pensei ter superado, retorna. Atitudes intuitivas sobressaem, sentimento cego, amor incerto, mal resolvido... Minhas memórias em saltitantes flashes fotográficos mostram os lábios carnudos, o cabelo se derramando denso na cama, o olhar viscoso... por outro lado acusam a enxaqueca. Quando falamos pela última vez estava pelo Paraná. Em meio a isso nem sei por onde andas, nem se tem alguém.
Álvaro Augusto
Enviado por Álvaro Augusto em 09/04/2020
Código do texto: T6912035
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Álvaro Augusto
Santos - São Paulo - Brasil, 26 anos
14 textos (482 leituras)
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Álvaro Augusto