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Contos, BASEADO EM FATOS REAIS E CONTEMPORANEOS:

Quando passamos dos 60 (sessenta) anos vividos, fatos lá do passado vem claramente em flesh´s de forma expontanea e sem controle, ricos em mínimos detalhes. Lembro-me por volta dos meus 15 anos tinha que trabalhar para ajudar minha mãe manter 05 filhos/irmãos, na minha época podia trabalhar partir dos 14 anos.
Trabalhei no 5º. Ofico, titular DR. ALPHEU, cartório em São João de Meriti, quer dizer, não pro cartório e sim para um escrevente dentro do cartório, levava documentos e cópias nas mesas, fazia notas promissórias, comprava cigarros e lanches e entregava bilhetes entre os namorado e amantes que lá trabalhavam, era muito solicito e esperto. E as meninas me tratavam com muito carinho elogiavam meus olhos azuis. Já estava no meu terceiro emprego de curtos períodos. Por indicação do namorado da minha tia, eu desempregado, desta vez não estava fácil para conseguir um emprego de carteira assinada em empresa solida. Fui eu levado a uma empresa que produzia tipos para redação de textos no mundo gráfico editorial, as maquinas linotypos que trabalhavam freneticamente para tender o mercado, e precisavam de um ofice boy , não tinha experiência nenhuma ou do que teria que saber para ser admitido. Más recebi algumas instruções de quem me indicava ao cargo que diria que conhecia a cidade do Rio de Janeiro em particular o centro da cidade, teria que afirmar conhecer Cinelândia, Castelo, citando Av. Rio branco e todo o entorno, o que não era verdade, franzino, jovem, medroso por morar a pouco tempo no centro do Rio de Janeiro, na Av. Gomes Freire. Vindo do interior de Minas, para São João de Meriti, depois para o centro do Rio de Janeiro.
A entrevista foi rápida tal a urgência que tinham, entreguei a carteira profissional que tinha tirado no Ministério do trabalho em companhia da minha mãe uns dias antes. Organizaram uma pasta, nela colocando fatura de fornecedores anexo a cheques nominais cruzados e anotações de eventuais com detalhes para que eu tivesse apoio no bom andar das minhas atividades externas. A empresa localizava-se na São Luiz Gonzaga – São Cristovão, na porta em frente tinha um ponto de ônibus, sabia que tinha que pegar um escrito CASTELO lá fui eu descendo a rampa da entrada da empresa e entrando no ônibus que seguiu até a cidade. Tinha pedido ao trocador que me avisasse quando chegasse na Rio Branco no ponto do ED. Central ao lado da CAIXA ECONÔMICA, quando saltei levei um choque pois nunca tinha estado só ao lado de um edifício tão alto e tantas pessoas transitando a minha volta por todas as direções, ouvi buzinas e carros, ônibus, taxi arrancando e freando os camelos nas calçadas. Eu lembro que me encostei em uma porta comercial de brindex fechada, surtado e mudo, não sei quanto tempo ali fiquei chorei copiosamente sem saber o que fazer. Tremia muito e olhos arregalados balbuciava minhas queixas com dificuldades para uma moça que não sei o nome e nem lembro-me bem de seus traços, clara, gentil ela repetia aos meus ouvidos fique calmo lembro até hoje destas palavras, fique calmo. Eu bebia agua de forma compulsiva e desordenada. Lembro-me ela me perguntar se estava com fome, me acompanhou o dia todo até as 4 da tarde. Os nomes dos bancos Agrícola, Banerj, Caixa, Bamerindus. Nacional as ruas eram Ouvidor, Assembleia, Quitanda, Almirante Barroso Tinha uma fatura lembro-me que era paga na caixa da própria empresa RUFF papelaria e moveis de Aços (arquivos), 1ª vez na vida aprendi sobre cheques cruzados e verificar impressões mecânicas junto a carimbos e rubricas  no corpo dos documentos que ela me mostrava. Sentamos por vezes em lanchonetes e bancos das praças me mostrando e me treinado por cinco dias, esta pessoa me encontrava no ponto do ônibus do edifício Central e me colocava no ônibus de volta as 4 da tarde para a empresa.  A empresa me dava um vale refeição por dia e a primeira vez que comi um galeto na Cinelândia com batatas fritas e farofa, salada de palmito. Não sei seu nome, lembro-me pouco sobre ela, hoje sei que seu perfume era suave ‘’ alfazema ‘’ lembro-me que ela me chamava pelo meu nome composto mostrando carinho e respeito, dando-me reponsabilidade e me profissionalizando como se ela não fosse deste mundo, acredito que ela foi um anjo em minha vida, nunca irei esquece-la tal a magnitude de seus ensinamentos. Assim me tornei o que se chamava na época oficeboy, nunca comentei sobre estes acontecimentos com ninguém.












MIGUEL ANGELO DOMINATO
Enviado por MIGUEL ANGELO DOMINATO em 07/11/2018
Reeditado em 10/11/2018
Código do texto: T6497125
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
MIGUEL ANGELO DOMINATO
Volta Redonda - Rio de Janeiro - Brasil
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