O Homem de Pele Azul

O Homem de Pele Azul

No coração do sertão nordestino, onde o vento assobiava segredos antigos entre os cactos e as pedras, o geólogo Elias Santoro cavava em busca de fósseis. A terra seca escondia histórias de milhões de anos, e ele queria ser o primeiro a lê-las.

Mas naquela tarde, enquanto o sol afundava no horizonte em tons sangrentos, sua picareta atingiu algo estranho. Não era pedra, nem osso fossilizado—era uma estrutura lisa, fria, que parecia vibrar sob seus dedos.

Curioso, Elias limpou a poeira e revelou uma superfície azulada, reluzente como metal. Antes que pudesse reagir, um som estalou no ar, como um trovão preso dentro da terra.

A estrutura se abriu.

E algo saiu.

O corpo era humanoide, mas a pele… um azul profundo, brilhante como o céu antes da tormenta. Olhos sem íris, vazios como o próprio espaço, pousaram sobre Elias.

Ele não conseguiu se mover.

O ser ergueu um braço, e Elias sentiu um calor percorrer seu corpo, um calor que não queimava, mas desarranjava. Ele viu suas mãos tremularem como imagens refletidas na água. Seu corpo não estava mais fixo à realidade.

"Você me despertou."

A voz não veio pelo ar, mas pela sua mente. Era fria, sem emoção, como se a própria eternidade estivesse falando com ele.

"O que… você… é?" Elias conseguiu sussurrar.

O ser inclinou a cabeça, como se considerasse a pergunta.

"Eu sou o primeiro."

Elias sentiu sua consciência ser arrancada, como se cada lembrança, cada pensamento, estivesse sendo copiado.

Os moradores da pequena cidade de Barro Vermelho encontraram Elias vagando pela estrada três dias depois. Seu rosto estava pálido, seus olhos sem vida. Não reconhecia ninguém, nem lembrava seu próprio nome.

O homem que voltou não era Elias.

Os velhos da cidade murmuraram sobre histórias esquecidas, sobre algo enterrado desde antes da chegada dos homens, algo que nunca deveria ser despertado.

No céu, na noite sem lua, uma estrela azul piscou.

Algo novo caminhava sobre a Terra. Algo antigo. Algo sem tempo.

(Eduardo Andrade)
Enviado por (Eduardo Andrade) em 29/03/2025
Código do texto: T8297029
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