A Festa do Último Ano
Eu nunca quis ir àquela festa.
Na verdade, eu nunca fui muito fã dessas coisas. A ideia de me perder em meio a centenas de adolescentes bêbados e barulhentos nunca me atraiu. Mas era o último ano do ensino médio, e todos diziam que era a última chance de viver a experiência. Então, mesmo contra minha vontade, lá estava eu, com a roupa que minha mãe havia escolhido e um sorriso que mal conseguia disfarçar o desconforto.
A casa de Jake era enorme, afastada o suficiente para que ninguém reclamasse do barulho. Ele sempre foi o cara popular, o tipo de pessoa que adorava se destacar. E, naquela noite, a festa estava no auge. As luzes piscavam de forma descontrolada, enquanto a música eletrônica ecoava pelos altos-falantes, reverberando no chão e nos meus ossos. O cheiro de álcool misturado com o perfume doce das garotas preenchia o ar pesado. Aquelas risadas, os gritos… tudo se tornava uma espécie de ruído branco em meus ouvidos, e eu só queria encontrar um lugar tranquilo onde pudesse desaparecer por um tempo.
Meus amigos estavam por ali, espalhados entre os outros estudantes, e eu me forçava a sorrir. Ryan, Emily, Jake… todos estavam em seus próprios mundos. Emily estava rindo com algumas meninas enquanto Ryan jogava uma partida de beer pong. Jake, como sempre, estava no centro das atenções, falando sobre alguma história que ele achava que era interessante.
Fui até o canto do jardim, tentando me afastar do caos. A casa estava lotada, mas, de alguma forma, eu sentia como se estivesse sozinha, como se o ambiente estivesse começando a me engolir.
E foi ali, no silêncio do jardim, que meu celular tocou.
Era uma ligação desconhecida.
Eu hesitei. Normalmente, nunca atendo números que não conheço, mas algo na minha barriga me fez apertar o botão de atender. E foi então que a voz do outro lado soou.
— Olá, Vanessa.
Meu coração disparou. Não era possível. Como aquela pessoa sabia meu nome?
— Quem é? — minha voz estava mais trêmula do que eu gostaria que fosse.
A voz era distorcida, metálica, como se alguém estivesse falando através de uma máscara.
— Isso não importa. O que importa é o que você fez.
Eu congelei. A frase foi dita com uma calma que me assustou ainda mais. Como assim, “o que eu fiz”? Eu não fazia ideia do que aquilo significava.
— Não sei do que você está falando — tentei disfarçar o pânico que já começava a crescer dentro de mim.
— Ah, sabe sim. Todos vocês sabem. E agora, vocês vão pagar.
A ligação foi cortada abruptamente. Eu fiquei ali, parada, com o telemóvel ainda pressionado contra o ouvido, o zumbido da linha deixando o silêncio mais pesado. A sensação de que algo estava prestes a acontecer me engoliu, e eu sabia que não era apenas o álcool ou a pressão do último ano. Era algo muito mais sombrio.
Respirei fundo e, antes que o pânico tomasse conta de mim, comecei a procurar meus amigos. Eu precisava de respostas. Isso não podia ser uma coincidência.
Corri até o quintal onde Jake, Sam, Emily e Ryan estavam reunidos. Eles estavam jogando uma espécie de jogo de beber, rindo e se divertindo como se nada estivesse acontecendo. Eu quase os invejei, desejando ter a mesma facilidade para ignorar o que estava acontecendo.
— Ei, vocês receberam? — perguntei, sem conseguir esconder o medo na voz.
Jake me olhou com desdém, rindo.
— O quê? — ele franziu a testa, visivelmente irritado com a interrupção. — Uma ligação estranha?
Eu assenti, e Emily, que estava mais pálida do que o normal, confirmou.
— Ele sabia meu nome… — ela sussurrou, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo.
O celular de Ryan vibrou novamente, e ele atendeu, provavelmente achando que fosse mais uma chamada qualquer. Ele colocou no viva-voz sem hesitar.
— Bom, bom… vocês estão reunidos. Ótimo. O jogo começou. E as regras são simples: obedeçam ou morram.
Eu olhei para os outros, tentando ler as expressões em seus rostos. O silêncio se fez absoluto, e o barulho da festa parecia desaparecer por um instante.
— Primeira rodada: Sam, vai até a cozinha e pega na faca mais afiada, e corte o seu braço. AGORA.
Sam olhou para o telemóvel, depois para os outros, rindo com nervosismo.
— Isso é ridículo — ele disse, soltando uma risada nervosa.
Mas a voz do outro lado da linha não estava a brincar.
— Se você não fizer, alguém aqui morre. Sessenta segundos. Tic-tac, tic-tac…