A Sala do Professor Blackthorn

A Sala do Professor Blackthorn

Na antiga escola de Windmill, havia uma sala esquecida, guardada atrás de uma porta que ninguém ousava abrir. Era a sala do Professor Blackthorn, um homem excêntrico e enigmático que havia lecionado por décadas. Quando ele desapareceu, ninguém soubera para onde foi, mas a sala permaneceu trancada.

Nos anos seguintes, os alunos contavam histórias sobre ele. Diziam que ele sabia mais do que deveria, que suas aulas tinham o poder de mexer com a mente, que ele ensinava coisas que não eram para ser ensinadas. Alguns disseram que o professor havia feito um pacto com algo antigo, algo que ele queria compartilhar com os outros. Mas ninguém jamais confirmou.

A escola estava prestes a ser fechada, os corredores já estavam vazios, e apenas alguns alunos permaneciam. Um deles, Peter, curioso e audacioso, ouviu os sussurros. Ele sempre ouvira falar da sala proibida, e uma noite, quando o último sino da escola tocou, ele decidiu que iria encontrar a chave e descobrir a verdade.

No coração da escola, entre as paredes de madeira envelhecida, Peter chegou à porta. A chave estava onde haviam dito que estaria, no fundo de um velho armário de vassouras. Sua mão tremia enquanto ele a inseria na fechadura. A porta rangeu, e o ar pareceu mais pesado, mais espesso, como se a própria sala estivesse esperando por ele.

Dentro, a sala estava como sempre estivera, mas o cheiro era diferente, úmido, como o de algo que não havia sido tocado por anos. O quadro negro, coberto por uma camada fina de poeira, ainda tinha algo escrito, como se o professor tivesse deixado uma última mensagem.

“Quem não aprende o que é ensinado, aprende o que é esquecido.”

Ouvindo essas palavras, Peter sentiu um calafrio. Ele se aproximou do quadro, suas mãos quase tocando a superfície da lousa, quando a sala ficou estranhamente silenciosa. De repente, o som de passos ecoou pelos corredores. Não eram passos humanos, mas algo mais pesado, mais arrastado.

“Peter…”

A voz veio de um canto da sala, baixa e cavernosa. Ele se virou rapidamente, mas não viu ninguém. A sala parecia mais escura, mais densa, como se o tempo estivesse se distorcendo. Então, ele ouviu novamente.

“Peter… venha aprender.”

Uma figura surgiu das sombras. Não era o professor Blackthorn, mas sua silhueta era familiar, como se estivesse se formando a partir da própria escuridão. Seus olhos, vazios, pareciam absorver a luz ao redor. Ele não se movia, mas seu olhar parecia penetrar diretamente na alma de Peter.

“Você se atreve a aprender o que não deve ser aprendido?” a figura perguntou, sua voz se tornando um sussurro.

Peter tentou recuar, mas suas pernas estavam presas, como se o chão estivesse se tornando líquido. Ele olhou ao redor, mas a porta havia desaparecido. A sala estava agora um espaço sem fim, cheio de símbolos e desenhos incompreensíveis. E, no fundo, o quadro negro se iluminou, mostrando algo ainda mais perturbador: uma lista de nomes, todos riscando-se, um por um. O último nome na lista era o de Peter.

“Você… é a lição final”, disse a voz, agora claramente vindo da figura que começava a se dissolver nas sombras. “Quando aprender, será o último a sair.”

Peter gritou, tentando correr, mas suas mãos estavam presas, seu corpo lentamente se tornando parte da sala. Ele tentou esquecer tudo o que estava aprendendo, mas não conseguia. O aprendizado o consumia. Cada palavra escrita no quadro, cada símbolo nas paredes parecia ser parte de algo que ele não deveria saber.

Na manhã seguinte, a sala foi encontrada vazia. O quadro negro estava limpo, como se nada tivesse acontecido. A escola fechou seus portões para sempre, e a chave da sala foi perdida no tempo.

Mas, em noites silenciosas, aqueles que se aproximam do prédio dizem ouvir um sussurro, vindo de dentro da sala:

“Você está pronto para aprender?”

(Eduardo Andrade)
Enviado por (Eduardo Andrade) em 22/03/2025
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