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O filósofo escreveu que a História se repetia. Primeiro como tragédia, depois como farsa. Um oráculo que usava a materialidade dos eventos para desenhar uma aposta amparada na dialética inevitável dos acontecimentos.

Serafim alegava todo tipo de piada sobre questões que não eram uma, mas a ordem moral de sua época ingenuamente cria ser. Um erro já na aurora da interpretação dos fatos. Deste equívoco social, nascia um monstro já conhecido, mas ignorado pela conveniência de um sistema que dele se valia para existir.

Serafim foi testando, como seus ídolos, os limites. Todos. E nenhum foi rigorosamente reprovado. Tensionou a todos eles ao absurdo da risada automática de seus expectadores cheios de uma certeza infantil.

Não há mais contexto. Tudo é dicotomia. Tudo é cartesiano. Binário.

Os fatos tinham a importância de um conto ficcional mal escrito. A verdade estava a serviço das conveniências do novo velho regime. Como sempre, na História de todos.